Universidade de Buenos Aires
Estudantes impedem Conselho Universitário contra golpe da reitoria

15 de dezembro de 2006

Uma manifestação estudantil com mil estudantes impediu que fosse realizada uma reunião do Conselho Universitário da mais importante universidade da Argentina, a Universidade de Buenos Aires (UBA). Os estudantes que dirigiram a manifestação são os integrantes da FUBA, Federação Universitária de Buenos Aires, diretório central dos estudantes.
Estes, que também se mobilizaram para paralisar as últimas oito reuniões do Conselho, denunciam a política de privatizações da burocracia universitária, formada pelos pró-reitores, chamados de “decanos”, cargos indicados pelo reitor.
Os estudantes reivindicam democracia nas eleições para reitor, mais participação estudantil no Conselho Universitário e também denunciam um golpe da reitoria.
Este ano, os estudantes em diversas manifestações impediram que candidatos ligados à ditadura militar assumissem o cargo de reitor e levaram outros altos cargos da universidade a renunciarem.
A universidade pretende realizar eleições restritas e cercear cada vez mais os estudantes através de uma reformulação das leis universitárias.
A reitoria, que ficou em um impasse, cogitou realizar a reunião do conselho em outras dependências, na Faculdade de Engenharia, mas os estudantes ameaçavam realizar piquetes no local.
O governo Kirchner interveio, e o Congresso Nacional autorizou que fosse realizada a sessão do conselho no próximo dia 18 de dezembro, na Câmara dos Deputados, para que o novo reitor seja eleito, o que é considerado ilegal pelos estudantes, pois as leis atuais da UBA exigem realização de reunião do conselho em dependências da própria universidade.
O dirigente estudantil, presidente da FUBA, Juan Pablo Rodríguez, denunciou que "o governo faz um pacto de ilegalidade com a camarilha universitária privatizadora, quando o regulamento da UBA estabelece claramente que a assembléia do conselho deve ser realizada em uma sede da universidade" (La Nación, 7/12/2006).
As reivindicações do ato estudantil eram de triplicar o número de membros da comunidade universitária no conselho, democratizar os estatutos da universidade pela participação direta dos professores, funcionários e estudantes e eleger a direção de maneira democrática.
Assim como no Brasil, as leis universitárias (que estão ameaçadas de sofrer uma ofensiva em universidades importantes do País, como é o caso da USP no início deste ano) são baseadas no que foi estabelecido pelos governos da ditadura militar, levadas à frente, atualmente, pelas reitorias indicadas pelo governo e apoiadas pelos empresários de fundações privadas e da indústria do vestibular.