Repressão
Ditadura contra o movimento estudantil

18 de dezembro de 2006

Dois estudantes da USP são condenados a três meses de detenção por terem escrito em rua do campus

A crescente repressão ao movimento estudantil que vem sendo sistematicamente denunciada pela AJR desde meados de 2005 e que atinge estudantes do País inteiro chega a um dos pontos mais altos desde a ditadura militar. Dois estudantes da Faculdade de Arquitetura da USP foram condenados a três meses de prisão por terem escrito um chamado a um protesto contra o governo Lula que aconteceu no ano passado.

Os alunos foram pegos pela Guarda Universitária e levados diretamente para a polícia. “Não houve qualquer tipo de procedimento interno e já fomos levados pela guarda para a delegacia", disse Daniel Sene. O Ministério Público enquadrou o caso na Lei de Crimes Ambientais contra a pichação de lugares públicos.

Trata-se de um caso de clara cassação política contra o movimento estudantil, que vem ocorrendo no País inteiro através da censura política dos estudantes que vem se mobilizando cada vez mais contra a destruição da universidade pública pelo governo federal e estadual. Durantes esses dois últimos anos os casos vão desde a expulsão de estudantes por se manifestarem contra os ataques da reitoria, como ocorreu com sete estudantes do campus de Franca da Unesp, sindicâncias abertas contra estudantes por terem realizado festas, como ocorre na USP, contra a crítica de estudantes contra os rumos da universidade e contra professores como acontece na Unir (Universidade Estadual de Roraima), etc., chegando agora ao extremo com a prisão de estudantes.

Esses ataques devem-se à tentativa das reitorias, do governo Alckmin-Lembo e Lula de calarem os estudantes que se revoltam contra a situação deplorável da universidade brasileira. É a tentativa de reprimir umas das grandes forças políticas do País que é o movimento estudantil, reprimir a sua reorganização contra a burocracia estudantil que se instalou e paralisou o movimento estudantil nos últimos anos, como são os DCE´s, da USP e de várias universidades controladas pelo PSol e PSTU, e da UNE controlada ditatorialmente pela UJS/ PCdoB.

É imprescindível a defesa incondicional do movimento estudantil através de uma enorme mobilização dos estudantes, na defesa de sua liberdade de expressão e de auto-organização, pois se trata de um direito sem o qual se torna impossível a defesa e a luta pelas reivindicações históricas do movimento estudantil como o fim do vestibular, universidade pública para todos, passe livre, entre outras.