Reforma Universitária
PCdoB na UNE pede aprovação em caráter de urgência

Os burocratas mirins saem, de novo, à frente defendendo incondicionalmente a reforma dos empresários da educação e do governo

18 de junho de 2006

Foi enviada na quarta-feira passada a quarta proposta de Reforma Universitária ao Congresso Nacional assinada pelo próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva e que prevê piores ataques que a reforma anterior, que já era o mais acabado projeto de privatização do ensino público superior. A regulamentação do ensino privado, a expansão das fundações privadas na universidade, a implementação de um ciclo básico em todas as universidades públicas para cortar verbas, a ampliação dos negócios privados estrangeiros no país.
Esta versão foi apresentada com pelo menos três outros ataques à universidade pública: a flexibilização do regime de dedicação exclusivo de professores do ensino superior público, a retirada de cotas para negros e a exigência de uma lista tríplice para reitor que é escolhido pelo governo.
A burocracia estudantil do PCdoB na UNE, à despeito disso, exigiu que o projeto fosse aprovado ainda este ano, adiantando-se ao próprio congresso mensalão que encontra-se paralisado pela crise. “A reforma, pela sua complexidade, terá uma tramitação mais lenta. O projeto vai amadurecer, o que fizemos é não parar o debate”, explicou o próprio ministro da Educação, Fernando Haddad, autor do projeto (site do MEC, 8/6/2006)
Já Gustavo Petta, presidente da UNE reivindicou a Haddad em reunião no dia 8 de junho, que o governo solicitasse tramitação do Projeto em caráter de urgência.
“Temos que fazer o possível para que os deputados possam debater a proposta e quem sabe votá-la ainda este ano (...) Quem decide agora é o Congresso, são os deputados. Vamos para a disputa do conteúdo da proposta nesse novo ambiente (...) Se ele for votado não vai haver retrocesso na educação superior do Brasil, pelo contrário, só haverá avanços, com relação ao que temos em vigor hoje " (Site da UNE, 9/6/2006)
A defesa incondicional da reforma capitalista e imperialista do ensino é uma demonstração clara de que a burocracia mensalão de diretores estudantis que estão na UNE são verdadeiros profissionais em defesa da universidade privada e sem nenhuma base estudantil. Somente isso os torna capazes de defender um projeto tão impopular nas universidades e encobrir inúmeros ataques que estão previstos neste projeto, que vão desde a intervenção na organização estudantil até o desvio de verbas públicas para os negócios privados na universidade. A crise da direção da UNE e a completa paralisia em relação aos estudantes é um sinal de crise desde há muito tempo permanente do PCdoB na entidade.