Repressão
Reitoria da USP solta nota em defesa da prisão de estudantes

A universidade assim como o braço armado do estado, condena os estudantes à prisão por fazerem parte do movimento estudantil

21 de dezembro de 2006

Em nota sobre a condenação de dois estudantes da Faculdade de Arquitetura, Daniel Sene, e Ilana Tschiptschin a três meses de prisão, cujo julgamento foi concluído nesta segunda-feira, a reitoria da USP reafirma a defesa da polícia militar presente no campus, a prisão dos estudantes e a condenação, demonstrando todo seu alinhamento com a repressão do governo do estado ao movimento estudantil.
O texto diz “não se trata de repressão ou volta ao tempo da ditadura. O que se tem, no caso, é a falta de respeito dos referidos estudantes com a propriedade alheia”. Para a reitoria o espaço dos estudantes é um espaço alheio a destes mesmos, ou seja, é um espaço particular.
"É obrigação da Guarda Universitária zelar pelo patrimônio da Universidade de São Paulo que, em última análise, é público”. (Folha de S. Paulo, 18/12/2006).
O prefeito do campus da Cidade Universitária, Adilson Carvalho, também defendeu a atitude "A PM está aqui há muito tempo. E ela busca combater a violência, não reprimir estudante" (Idem).
Estas alegações só reforçam a política da reitoria de apoio total à repressão ao movimento estudantil. Em defesa da privatização do ensino, do apoio às fundações privadas e ataques sem precedentes na universidade, a reitoria da USP coloca em prática o maior número de casos de repressão desde a ditadura militar, chegando a defender preceitos iguais aos dos anos mais obscuros da ditadura, e defendendo a Polícia Militar no campus, o que inclusive, é inconstitucional.
A nota ainda diz “sendo inadmissível que tal ato tenha partido de pessoas que escolheram como norte de suas vidas graduarem-se em arquitetura e urbanismo e, assim, deveriam primar pela preservação ambiental”.
Em defesa da sua “cidadania”, e de que a universidade seja um lugar para estudar e não se manifestar, discurso idêntico ao dos generais defendiam, a reitoria quer criminalizar do movimento estudantil.
A mesma reitoria da USP foi indicada, como previsto em lei, pelo governo do estado, do então governador Geraldo Alckmin (PSDB), graças à lei de indicação política, que permanece como um resquício da ditadura militar.
A atual reitoria, de Suely Vilela, figura ligada aos cursos de pós-graduação pagos e às fundações privadas, foi escolhida no momento em que o governo do estado nas universidades públicas (Unesp, Unicamp, USP etc) vem expulsando e ameaçando estudantes de todas as maneiras possíveis e em um momento em que a justiça do estado, verdadeira autarquia do governo do estado do PFL-PSDB, está claramente no centro do furacão da repressão aos trabalhadores sem-terra, como José Rainha.