USP
O que está por trás da repressão ao movimento estudantil
21 de dezembro de 2006
A prisão de dois estudantes por pintar a via pública é apenas mais um dos casos de repressão na USP.
Para reprimir diretamente os que se organizam a reitoria durante as férias do primeiro semestre ameaçou cerca de 80 estudantes da FAU pela realização de festas na universidade. Estes representam 10% dos 800 estudantes daquela faculdade. Somente no último semestre entre medidas administrativas e repressão policial foram dezenas de casos. Uma verdadeira cascata de medidas arbitrárias dentro da USP veio à tona: um estudante da ECA foi preso por questionar a presença da PM no campus, anotando a placa de uma viatura, a PM esteve então cada vez mais presente no campus. Foi anunciado que a reitoria está em fase final de aquisição cerca de 180 câmeras que serão instaladas no campus em uma medida inédita na USP; estudantes do centro acadêmico da Letras já tinham sido ameaçados de suspensão no início do ano por pintar o espaço dos estudantes. A Rádio Livre, dos estudantes da História foi invadida pela Polícia Federal e lacrada; estudantes denunciaram que a panfletagem está proibida na universidade em diversos locais; cartazes de partidos políticos foram proibidos pela reitoria. Colagens de cartazes foram proibidas de maneira geral em diversos locais do campus, pois a guarda universitária alega que patrimônio da prefeitura do campus é privado. Os repasses destinados aos centros acadêmicos provindos do aluguel do espaço serão centralizados diretamente pela reitoria.
Os casos de repressão se iniciaram no estado de São Paulo mais claramente há cerca de um ano, quando estudantes iniciaram mobilizações contra o veto do governador Geraldo Alckmin, de cerca de R$ 500 milhões para as universidades e escolas públicas do estado. Na ocasião, os estudantes foram presos e reprimidos nas ruas e Alckmin tratorou as verbas públicas. Em seguida uma verdadeira caça às bruxas foi movida contra as lideranças estudantis do estado. Somente na Unesp sete estudantes foram expulsos, duas estudantes foram suspensas e mais 15 continuam sofrendo processos internos. Medidas não vistas desde a ditadura militar como a proibição de panfletar e colar cartazes voltaram a ser lei em diversos campus.
O que está por trás da repressão na USP são projetos completamente impopulares, como a construção de um hotel de R$ 30 milhões para empresas com o dinheiro público, a mudança decidida entre quatro paredes das leis da universidade para o próximo ano, a alteração da lei do jubilamento, mais que dobrando o número de estudantes que serão excluídos por falta de créditos. A privatização dos espaços dos estudantes nos centros acadêmicos (construção de lanchonete no espaço da Filosofia e Ciências Sociais, um auditório no espaço da História, etc), espaços destinados à organização do movimento estudantil, entre diversas outras medidas e ameaças. Também é um plano do governo federal de Lula a Reforma Universitária, maior plano de ataques ao ensino público já visto que tem como uma das medidas institucionalizar o repasse de verbas públicas para as fundações privadas.
Os governos federal e estadual querem atacar os estudantes, destruir o movimento estudantil e fazer levantar a cabeça os setores mais reacionários da burocracia universitária, ligados à policia e à ditadura militar na tentativa de calar a voz dos estudantes. Esta é uma medida dos governos enfraquecidos e impopulares que não obtém apoio para colocar em prática a retirada de direitos históricos dos estudantes e dos trabalhadores. |