Passe livre
Manifestação em São Paulo acaba em detenção de jovem pela tropa de Serra

Manifestações pelo passe-livre em quase todas as capitais do país demonstrama demagogia da direção estudantil governista, UBES e UNE, que nunca organizou os estudantes por esta reivindicação histórica

23 de março de 2006

A direção da UBES e da UNE, para conseguir se sustentar minimamente em sua crise terminal, é obrigada a colocar em questão o fim das explorações dos transportes e o passe livre, bandeira anteriormente ao governo Lula somente colocada pela ala revolucionária do movimento estudantil

Crise da UJS e passividade dos partidos centristas

Em São Paulo, o ato que teve início às 9 horas da manhã no vão do MASP, Avenida Paulista, reuniu cerca de 10 escolas estaduais nas quais a UJS colocou ônibus gratuitos. Cerca de 2 mil estudantes estiveram no ato que prosseguiu até a Secretaria de Educação do Estado, na estação Rebouças. Os ataques dos burocratas mirins tanto do PT, da UJS, e da UJR, que não representavam cerca de 20 pessoas se pautaram ao governo de José Serra e Geraldo Alckmin, em defesa de eleições para a frente popular de Lula para a presidência, ou seja, da mesma defesa de um governo que aprofundou a privatização dos transportes na cidade com Marta Suplicy.
Outra evidência que contrasta com a dificuldade de a burocracia de se sustentar, é a crise das organizações ditas de esquerda como PSol e PSTU que não estiveram no ato. A função atualmente destas organizações centristas tem sido deixar para a burocracia a direção do movimento estudantil, com sua proposta de racha do movimento estudantil com a Conlute que sequer organiza atualmente um movimento pelo passe livre. A crise da burocracia, evidente tanto pela presença de militantes da UJS como pelo afastamento dos estudantes que não acompanhavam as palavras de ordem exigidas pela direção, é amenizada pelos partidos que atribuem tardiamente a esta organização, a denominação de burocracia invencível e governista, o que nunca foi questionado por estas organizações quando dividiam lado a lado o dinheiro das carteirinhas estudantis na direção da UNE e UBES.
Fato relevante é que em nenhum dos colégios chamados pela UJS para o ato existe organização pelo passe livre promovida pela UJS.

A tropa de choque do PSDB prende estudante e UJS defende a polícia

Os cerca de 2 mil estudantes se reuniram após a manifestação na praça em frente à Secretaria de Ensino onde queimaram simbolicamente um caixão representando o governo Alckmin. Ao final da manifestação, quando os dois mil estudantes estiveram na Praça da República, um grupo jogou tinta na escadaria do prédio, o que foi suficiente para que os policiais que se mantinham na frente da Secretaria reprimissem os estudantes, prendendo um menor de idade, que teria participado do ato. O jovem foi levado de camburão para a delegacia. Diante de tal grau de repressão a UJS/PCdoB demonstrou novamente estar totalmente afastada dos estudantes, e relevou a questão chamando do carro de som os policiais a continuarem a respeitar a manifestação como o tinham feito até ali e os estudantes a prosseguirem o ato, isto depois que os mensalinhos da direção da UBES se manifestaram demagogicamente contra a repressão de Alckmin na Febem, o que na prática não é de fato seu interesse.

AJR: única intervenção em defesa dos estudantes

A “tão poderosa burocracia” com dificuldades quase pôde realizar um ato sozinha, não fosse a presença dos militantes do PCO na manifestação esclarecendo através de panfletagem e de intervenção no carro de som sobre a situação no movimento estudantil e a necessidade de organizar comitês pelo passe livre em cada escola, em uma ampla campanha, através da organização independente dos estudantes tanto do governo como da atual burocracia das carteirinhas da UBES, colocando que a luta pelo passe-livre é uma luta por retirar ali onde estão os estudantes a direção das mãos da burocracia. A AJR pautou também outra questão de ordem-do-dia para o movimento estudantil que é a perseguição de lideranças estudantis pela governo Alckmin na Unesp, em sua tentativa de revitalizar a uma verdadeira ditadura militar nas universidades expulsando estudantes que se manifestam contra o sucateamento do ensino.