Passe Livre - RS
Manifestação Estudantil contra o reajuste da passagem municipal em Porto Alegre

24 de fevereiro de 2006

Cerca de 300 manifestantes, entre estudantes e trabalhadores, realizaram no dia 15/2/2006, quarta-feira, um ato público na Esquina Democrática, em Porto Alegre, contra o reajuste da tarifa de ônibus municipal, que passou de R$ 1,75 para R$ 1,85, no dia 5/2/2006. Este é o método tradicional de todas as administrações burguesas que passaram pela Prefeitura Municipal de Porto Alegre, que teve vigência durante 16 anos de governo do PT, e que o governo Fogaça dá continuidade: reajuste nas férias estudantis, para tentar evitar qualquer tipo de reação e mobilização da juventude.
A manifestação, logo após o Ato Público, percorreu as principais ruas e avenidas do centro da capital, bloqueando totalmente a passagem para os veículos. Na descida da Av. Borges de Medeiros, o prédio da Prefeitura foi ocupado parcialmente por alguns minutos, provocando uma tentativa tímida de repressão por parte de quatro brigadianos a cavalo. Isso se explica pelo sentimento de revolta da população que se generalizou por todo o Estado, contra a ação da BM no assassinato de um ativista do setor do calçado no Vale do
Rio dos Sinos e no episódio em que os torcedores do Internacional foram reprimidos violentamente com bala de borracha e bomba de gás lacrimogêneo dentro do estádio Beira-Rio, no final do ano passado. O governo Rigotto e o Comando da corporação foram colocados em total defensiva em relação aos movimentos estudantis e de trabalhadores.
Após a desocupação do prédio da prefeitura, os manifestantes seguiram em passeata pela Av. Júlio de Castilhos, com bloqueio de toda a avenida e de todos os terminais de ônibus, passando pela rodoviária, e tomando o túnel da Conceição, até encerrar com novo Ato Público e bloqueio do encontro entre a Av. Senador Salgado Filho e Borges de Medeiros.
Em que pese os limites da política que no momento dirige as incipientes mobilizações, a tendência é que com o retorno às aulas, o que ainda se restringe a atos minoritários de ativistas do movimento estudantil, que não possuem nenhuma homogeneidade, no que diz respeito a um programa comum e a uma política para barrar a ofensiva dos empresários dos transportes coletivos e do governo Lula, de Rigotto e de Fogaça, ganhe corpo e a juventude invada as ruas da capital. O descontentamento com o aumento da passagem é só um prenúncio de gigantescas mobilizações juvenis para o mês de março, que se anuncia como o março vermelho dos estudantes, pois deverá dar vazão à luta contra as extorsivas mensalidades das escolas e universidades privadas, contra a falência do ensino público, enfim contra a total falta de perspectiva da juventude nos marcos do regime político burguês e do sistema capitalista totalmente em decomposição, que contraditoriamente empurra milhões de jovens e trabalhadores para uma perspectiva de uma ação revolucionária contra o jugo do capital.
A repercussão nos principais veículos de comunicação não esconde o medo da burguesia gaúcha com a tendência à generalização das manifestações para todo o Estado, a começar pela região metropolitana de Porto Alegre. No Jornal ZH (16/2/2006), o Presidente da Associação dos Transportadores de Passageiros (ATP) destemperadamente ataca a juventude de maneira virulenta: “Não entendo como dão notícia sobre essa grife de baderneiros, meia-dúzia de vagabundos. Pelo que sei, o protesto foi pífio, não prejudicou em nada o transporte coletivo.” O cunho fascistóide da declaração não esconde o medo de que as mobilizações aumentem e se alastrem, ganhando as ruas e avenidas de toda a capital e do Estado do Rio Grande do Sul. Também é uma confissão do quanto essa verdadeira máfia dos transportes coletivos se preocupa com o alcance das mobilizações em todo o País.
O PSTU, que na manifestação anterior, engalfinhou-se em um pugilismo com a juventude do PT, expondo uma cena desmoralizante em frente à Prefeitura Municipalretirando-se das manifestações, cumprindo também no movimento contra o aumento da passagem uma função de divisão para facilitar a ação dos abutres da ATP e do governo Fogaça.
Já o PSOL encontra-se dividido no movimento, com o grupo ligado a deputada federal, Luciana Genro, boicotando claramente o movimento junto com o PSTU. A fratura do PSOL está semi-exposta no Rio Grande do Sul. Isso já começa a transparecer nas manifestações, tendo em vista que o MES, junto com uma das suas principais personalidades, Pedro Ruas, lançou a candidatura de Roberto Robaina para o governo do Estado, e na outra semana, o MUS lançou a candidatura de sua dirigente, Bernadete Menezes, obrigando as duas cúpulas que comandam o partido no Estado a convocar uma prévia para decidir o candidato.
É necessário construir em cada local de trabalho, estudo e moradia um movimento de luta pela revogação do aumento da passagem.

Passe-livre para a juventude e trabalhadores desempregados;
Pela estatização dos transportes coletivos;
Por um governo dos trabalhadores da cidade e do campo.