Unesp
PCdoB quer boicotar Congresso estudantil

24 de maio de 2006

O movimento estudantil da Unesp está há anos refém da criminosa política da União da Juventude Socialista (UJS - juventude do PCdoB). O golpe planejado agora é não reconhecer o Conselho de Entidades Estudantis da Unesp e Fatec (CEEUF), realizado em Assis nos dias 18 e 19 de março, e impedir que o Congresso dos Estudantes da Unesp e Fatec (CEUF) ocorra neste primeiro semestre. O Diretório Central dos Estudantes (DCE) está sem gestão desde novembro de 2005 e como defensores da política dos governos burgueses no movimento estudantil, o PCdoB, é fortemente rejeitado pelos estudantes, pois querem impedir e tumultuar as novas eleições para a diretoria do DCE. No CEEUF estavam presentes membros da direção das entidades estudantis da Unesp de Presidente Prudente, Ilha Solteira, Marília, Jaboticabal, São Vicente, Rosana, Ourinhos, Araraquara e da Fatec de São Paulo, foram ao todo 27 entidades.
Os pontos da pauta do conselho foram: a crise da Unesp, a repressão do movimento estudantil e o CEUF. Entretanto, é importante deixar claro que neste conselho não houve, de fato, ampla discussão sobre estes pontos, que são urgentes ao movimento estudantil. As estudantes de Ciências Sociais e militantes da corrente do movimento estudantil da Aliança da Juventude Revolucionária (AJR), Aline Toledo e Cíntia Bossolani, participaram do Conselho, porém não tiveram direito a voto e nem representação, já que o Centro Acadêmico de Ciências Sociais de Araraquara foi seqüestrado por defensores da burocracia universitária e da política ditatorial que esta impõe aos estudantes.

Paralisia do movimento estudantil

Neste conselho não houve discussão alguma sobre a ofensiva da reitoria e do governo na perseguição política aos estudantes, o que demonstrou claramente o distanciamento que existe entre as necessidades dos estudantes e as entidades dos estudantes, os CA's, que deveriam discutir políticas para o movimento estudantil. Na plenária final do CEEUF, as militantes da AJR, encaminharam à mesa uma proposta de moção contra as expulsões dos estudantes de Franca, Marília e Araraquara, pela defesa da livre organização dos estudantes. Os direitistas de plantão de Araraquara tentaram impor no conselho a política ditatorial de apoio à reitoria que quer calar à força o movimento estudantil e expulsar estudantes da universidade. A histeria desses estudantes não teve ressonância e a moção contra as expulsões foi aprovada unanimamente. Neste encontro foi deliberado que o CEUF será realizado nos dias 26, 27 e 28 de maio no campus da Unesp de Jaboticabal com a seguinte pauta: 1. Universidade; 2.Conjuntura; 3. DCE e Conselho Universitário; 4. Movimento Estudantil; 5. Opressão. Neste congresso será organizada a eleição para a nova diretoria do DCE.
É necessário que todo o movimento estudantil se coloque em defesa do cumprimento das resoluções do Conselho, realizando o Congresso, acabando com a ditadura do PCdoB no movimento estudantil da Unesp.

Abaixo a ditadura do PCdoB

No Congresso dos Estudantes da Unesp e Fatec de 2004, realizado em Bauru, a direção composta majoritariamente pelo PCdoB foi destituída, e no desespero fizeram uma tentativa frustrada de roubar os documentos do Congresso. Entretanto, por não haver um movimento de oposição organizado, a burocracia dominou o novo processo eleitoral, privando a maioria dos alunos de se candidatar e votar. Através de muitas manobras e fraudes, o PCdoB se constituiu novamente diretoria do DCE. A falência da diretoria do DCE se demonstrou em vários momentos durante a sua gestão. Em um CEEUF de março de 2005, realizado em Rio Claro, a esmagadora maioria das entidades estudantis defenderam a proposta de eleições diretas para a escolha dos Representantes Discentes para Conselho Universitário, enquanto a diretoria do DCE já havia indicado para as cadeiras estudantis os membros de seu próprio grupo político. Diante dos protestos generalizados das outras entidades, o PCdoB se retirou levando consigo apenas cinco entidades. Tal debandada expôs a fragilidade das direções pelegas do movimento estudantil que demonstram não ter nenhum apoio na base. Durante o ano de 2005 foram realizadas várias ocupações pela ampliação da assistência estudantil e mais verbas para a universidade pública nos campi de Araraquara, Marília, Rio Claro e Presidente Prudente, houve também greve na Unidade Diferenciada de Ourinhos, manifestações na de Rosana, mas todos estes movimentos foram feitos independentemente do DCE que está a serviço da reitoria da Unesp e de Alckmin.

Contra as expulsões

A perseguição política na Unesp é o maior ataque ao movimento estudantil desde a ditadura militar, o que vem sendo apoiado pela a burocracia estudantil do PCdoB. Este partido, está no governo Lula promovendo o fim da universidade pública, através da Reforma Universitária, e sistemáticas ofensivas aos direitos dos trabalhadores. Fez seu último congresso financiado por empresas de petróleo, as mesmas que estão financiando a guerra no Iraque, o que deixa evidente o caráter burguês e pró-imperialista desse partido. No movimento estudantil, eles impõem através de uma ditadura, nos congressos fraudados da União Nacional dos Estudantes (UNE), a política de defesa dos capitalistas da educação privada e de sucateamento da educação do governo Lula.
A reitoria da Unesp, vendo a fragilidade da organização dos estudantes de conjunto iniciou uma verdadeira caça às bruxas na universidade. No ano de 2005 foram 24 estudantes expulsos e ameaçados de expulsão. Em Franca o prédio está caindo em cima dos alunos. Sete alunos que protestaram contra esta situação foram expulsos! Numa tentativa da reitoria de dar exemplo, criando um clima de terror entre os alunos, para estes não lutarem contra o sucateamento da universidade pública. Em Marília, uma centena de estudantes se manifestou contra a terrível política de assistência estudantil e 15, entre eles 12 diretores do Diretório Acadêmico, sofreram sindicância e ameaça de expulsão. Em Araraquara mais duas alunas, militantes da AJR, estão sofrendo processo de sindicância, ameaçadas de expulsão, por defenderem suas convicções políticas. A diretoria da Faculdade de Ciências e Letras agora tenta impor uma ditadura, impedindo a distribuição de panfletos, colagem de cartazes, ou seja, a liberdade de expressão e organização do movimento estudantil. O DCE, dirigido pelo PCdoB, assistiu pacificamente toda esta investida da reitoria e do governo Alckmin, homem da Opus Dei, aos estudantes. A diretoria do DCE, do PCdoB é um entrave para a luta dos estudantes da Unesp/Fatec. Só através da retirada da ditadura doPCdoB do DCE da Unesp e do movimento estudantil em geral é que poderemos enfrentar os ataques dos governos Alckmin e do PSDB à educação universitária.

Derrrotar o PCdoB

O DCE é um importante instrumento dos estudantes de centralização das reivindicações e de organização da luta em defesa da universidade pública. Por isso há o extremo interesse de partidos burgueses como o PCdoB em estar nestas entidades e controlar a mobilização dos estudantes contra os ataques do governo.
A organização dos estudantes independente da reitoria e do governo é fundamental para a defesa de seus interesses. Em 2002 houve um Congresso dos Estudantes da Unesp em que o PCdoB alegou não ter ocorrido e impugnou as eleições para a nova diretoria do DCE que havia sido eleita. Por meios burocráticos e pela falta de oposições organizadas, o PCdoB tomou de assalto o DCE. Agora querem novamente impor sua ditadura e fazer um congresso burocraticamente controlado aprovando toda a sua política de apoio ao governo Lula, como já faz na diretoria das uniões estaduais de estudantes e na UNE. Aceitar fazer o jogo do PCdoB é um ataque direto aos estudantes. A capitulação para o PCdoB é um ataque frontal ao movimento estudantil na Unesp, que vai se manter nas mãos da reitoria e dos governos burgueses como o de Alckmin aumentando ainda mais os ataques aos estudantes.

Organizar um amplo Congresso de estudantes

A organização da luta dos estudantes nacionalmente, através da recuperação da UNE para as lutas estudantis não poderá ser, como querem os centristas, apenas um processo de eleição de uma nova direção. Um centro para a mobilização unitária nacional dos estudantes somente poderá ser criado através de uma profunda mobilização de massas. Neste sentido, a luta por mobilizar a massa estudantil nas universidades é a única alavanca real para reconstruir a UNE como organização de luta do movimento estudantil nacional. Também não se trata de substituir uma equipe de dirigentes por outra, mas de erradicar não apenas da UNE, mas também das UEE's e das entidades de base como Centros Acadêmicos, Diretórios Acadêmicos e DCE's, a burocracia como um todo, liquidando todos os privilégios e as fontes de corrupção do movimento estudantil criado pela burguesia como o famigerado esquema das carteirinhas.
O DCE da Unesp é praticamente a única entidade, das universidades públicas, em que o PCdoB se intromete, pois está totalmente desmoralizado e sem apoio algum nas outras universidades públicas. A desmoralização dos representantes do governo Lula no movimento estudantil é imensa, não conseguem nenhum apoio, apenas se mantêm de forma burocrática, através de fraudes e golpes.
O congresso deve ter como eixo principal a luta contra a perseguição ao movimento estudantil, visto que sem o direito de se expressar e organizar, não há como lutar em defesa da universidade. Deve-se lutar pela revogação imediata de todas as expulsões e o fim de todas as sindicâncias contra os estudantes da Unesp!
A chamada “inclusão social” feita pela Reforma Universitária do governo Lula, só é levantada pelos governos burgueses e pela frente popular como uma ferramenta a ser utilizada com o fim oposto, transferir o dinheiro público para as mãos dos capitalistas da educação e manter a população pobre e principalmente a população negra fora das universidades.
A necessária luta pela autonomia política da universidade visa a combater a dominação da burguesia e do imperialismo sobre a universidade, através da burocracia universitária, e colocá-la a serviço dos interesses da classe operária na sua luta pela revolução e pela transformação socialista da sociedade. Esta luta tem como objetivo buscar a independência política da universidade frente ao Estado e ao grande capital.
O controle da administração universitária deve ser feito por um conselho tripartite eleito proporcionalmente ao peso de cada setor em assembléias por faculdade e responsável diante da assembléia geral universitária e acabando com os governos unipessoais das reitorias. A universidade deve ter livre ingresso, sem o funil do vestibular e através da Aliança Operário-Camponês-Estudantil ter uma universidade a serviço do progresso da humanidade com um governo dos trabalhadores da cidade e do campo, o único capaz de garantir estas reivindicações.