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Cuiabá, MT
Estudantes acampam em frente à prefeitura para exigir a redução da tarifa
24 de março de 2006
Estudantes de diversas escolas de Cuiabá e Várzea Grande se reuniram na manhã de ontem (dia 23) para reivindicar a redução da passagem do transporte público de R$ 1,85 para R$ 1,60, imposta recentemente pelo prefeito da cidade, Wilson Santos, do PSDB.
A manifestação teve início às 10 horas na praça Bispo, no centro de Cuiabá, e reuniu mais de 600 estudantes que seguiram em passeata até a Câmara Municipal.
Com o apoio do CLTP (Comitê de Luta pelo Transporte Público), um carro de som foi colocado à disposição dos estudantes, em sua grande maioria secundaristas. Uma carta em nome do comitê foi entregue para vereadores ressaltando a necessidade da estatização do transporte público.
Um funcionário da Câmara chegou ainda a agredir fisicamente um estudante, iniciando um princípio de confusão incitada propositalmente pela segurança para intimidar os estudantes e dispersá-los.
Por volta das 13 horas, a passeata seguiu em direção à prefeitura, onde parte dos estudantes acampou durante toda à noite no local para pressionar o prefeito a reduzir o abusivo aumento do transporte público.
Diversas mobilizações estudantis garantiram aos estudantes de Cuiabá o passe-livre em 2002. Entretanto, o governo continuou com seus ataques e realizou uma série de restrições a este benefício, como, por exemplo, instituir horários e linhas determinadas para o uso do passe-livre. Esta medida foi batizada popularmente de “passe-Cinderela”, tamanha a sua impopularidade.
Como se não bastasse, Wilson Santos aumentou para R$ 1,85 a passagem do ônibus, caracterizando sua total submissão aos empresários do transporte.
Desde novembro do ano passado, Wilson Santos tenta explorar mais ainda a população trabalhadora com o aumento da tarifa. Durante a CPI do Transporte, instaurada neste mesmo período, estudos concluíram que o valor da passagem deveria ser de, no máximo, R$ 0,81, revelando o superfaturamento da prefeitura em relação não só ao recente aumento, mas também em relação ao preço anterior, de R$ 1,60, que garante o absurdo lucro de 100% para as máfias do transporte, às custas da população trabalhadora.
Os estudantes de Cuiabá, que cada vez mais contam com o apoio dos trabalhadores, têm o legítimo direito de sair às ruas para protestar contra este verdadeiro roubo.
Além disso, toda a região de Várzea Grande, cidade ligada a Cuiabá e que tem o equivalente a 70% de seus habitantes, não tem o passe-livre, sendo mais um motivo para manifestar-se.
O CLTP pretende continuar com as mobilizações até a prefeitura voltar atrás e reduzir o valor da passagem.
A luta pelo passe-livre e pela redução da passagem atinge várias regiões do país, refletindo um novo período de ascenso do movimento estudantil de conjunto. A reivindicação do passe-livre deve ser para toda a juventude, tanto estudantil quanto trabalhadora, além dos desempregados. Esta luta deve ser levada amplamente a toda a juventude e trabalhadores para uma ainda mais ampla mobilização em torno dessa reivindicação.
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