| Acima da inflação
Começa o aumento das mensalidades
6 de dezembro de 2006
No fim das aulas acontece a já costumeira e demagógica “mobilização” da direção da UNE, do PCdoB, contra o aumento de mensalidades, com matérias publicadas em seu site, encontros restritos à burocracia, etc.
A “mobilização” da atual direção da UJS, juventude do PCdoB na UNE, está de longe baseada em qualquer manifestação nas universidades, a partir da campanha nas salas de aula como deveria ser qualquer mobilização para enfrentar os capitalistas do ensino. Esta “luta” está baseada em um acordo por cima das entidades, no Congresso Nacional, e diretamente tratado com as universidades privadas, que só favorecerá as universidades pagas.
Atualmente, a UNE defende a aprovação de um projeto de lei, o 6489/06, que, longe de exigir o fim dos aumentos, prevê que a as instituições particulares de ensino apresentem a proposta de aumento com 120 dias de antecedência, alterando os 40 dias hoje previstos em lei. Com isso, a UNE diz que irá impedir que o reajuste seja feito durante o período de férias. Nas palavras do presidente da UNE, Gustavo Petta, "Precisamos cobrar mais empenho dessas instituições com a qualidade do ensino e mais investimentos em pesquisa e extensão”. Segundo o presidente da UEB (União dos Estudantes da Bahia), Juremar de Oliveira, da UJS: "Para nós, é preciso reequilibrar a relação entre estudantes e donos de escolas” (Estudantenet, página da internet da UNE, 5/12/2006).
Durante os governos de FHC e Lula, os governos dos maiores aumentos das mensalidades da história na educação, os burocratas da UNE e UBES mantiveram boas relações com os donos das universidades pagas.
Isto porque, na realidade, a UNE, com a bandeira de “regulamentação do ensino pago” favoreceu, além da explosão de novas fábricas de carteirinhas, o aumento sem precedentes das taxas cobradas na educação.
Segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), as mensalidades ultrapassaram em muito a inflação nos últimos 10 anos, mais de 30,9% em média somente na cidade de São Paulo, o que no caso das universidades é ainda mais grave, chegando a uma média de 34%. Isto ocasionou uma evasão de quase 40% na metade do primeiro mandato de Lula.
Por uma verdadeira mobilização dos estudantes contra a burocracia estudantil
Para amenizar a crise dos capitalistas que se agravou nos últimos anos de FHC, a direção da UNE, junto com o governo Lula, estabeleceu então a propaganda da necessidade de uma Reforma Universitária. A primeira parte do pacote já foi aprovada: o Prouni. Propagandeado como a única forma de colocar estudantes carentes na universidade, este funcionou, na prática, para acabar com quaisquer impostos para os donos de faculdades pagas e aumentar o número de alunos obrigados a se inscrever no Fies, programa criado por FHC, de mensalidades parcialmente pagas ou pagas ao final do curso. A direção da UNE teve um papel fundamental na elevação dos índices de inadimplentes e também ajudou, a empurrar centenas de milhares de estudantes ao endividamento e a ter o seu nome incluído na justiça por dívidas.
Os estudantes devem se mobilizar de forma totalmente independente dos seus exploradores e exigir o imediato congelamento e redução das mensalidades.
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