| Máquina parasita no movimento estudantil
Comprovado esquema de corrupção na venda de carteirinhas da UNE
6 de março de 2006
Em reportagem publicada pelo jornal Folha Online, neste domingo, duas repórteres comprovaram que a atual direção da União Nacional dos Estudantes mantém um esquema corrupto na vendas das carteirinhas estudantis, vendendo-as sem fiscalização através de convênio com grandes empresas.
Duas repórteres do jornal, que não são estudantes há mais de cinco anos, estiveram na loja da Blockbuster da praça Charles Muller, na capital paulista e adquiriram carteirinhas de estudante apenas com números de RG, CPF, fotografia e R$ 30,00, sem nenhum comprovante escolar.
Contatado, o tesoureiro da UNE, da UFMT, Rovilson Portela, toda a operação corre por conta da Jovem Pan "A gente só fiscaliza." (Folha Online, 5/3/2006)
Explorando estudantes e engordando a burocracia estudantil
A falta de fiscalização que cita o jornal é claramente mais uma manobra dos burocratas da UJS (União da Juventude Socialista, PCdoB) em busca de aumentar seu financiamento próprio. A direção, ao invés de defender os estudantes, mantém uma relação direta de dependência com capitalistas do ensino, grandes empresas e com o governo para abrir espaço para que qualquer pessoa adquira a carteirinha, que devia ser destinada apenas aos estudantes. Para financiar sua corrupção política, ou seja, para promover a paralisia total dos estudantes, utilizam-se de métodos corruptos e ainda preparam para aumentar o golpe.
Os números do plano de receita da entidade divulgados pelo jornal mostraram que justamente a UNE prepara um aumento na venda das carteirinhas com o convênio empresarial. Em 2005, quando se iniciou a parceria, foram vendidas 150 mil carteirinhas e já há uma meta de 300 mil vendas para este ano, o que prevê um faturamento bruto de R$ 9 milhões. A direção da entidade para os próximos cinco anos prevê que venderá 1 milhão de carteirinhas, ou R$ 30 milhões, isso se for mantido o preço atual.
Há uma gigantesca operação de guerra na venda das carteirinhas. Estandes de venda estão instalados em mais de 400 locais, como cinco lojas da rede Blockbuster, 50 endereços da Central de Intercâmbio, 38 lanchonetes McDonald's da Grande São Paulo e Campinas, além de sedes rádio Jovem Pan.
Enquanto estudantes passam pelos piores ataques como a perseguição de líderes no movimento estudantil, o sucateamento da educação pública e a falta de perspectivas culturais, a UNE aumenta ainda mais a sua fonte de financiamento sobre um direito dos estudantes, que foi apoderado pelo estado, a de passagem livre nos eventos culturais e nos transportes.
O monopólio de confecção e venda das carteirinhas foi garantido desde 1992 pelo governo Itamar Franco como um a garantia à direção que se manteve desde lá, UJS/PCdoB, explorando os estudantes e mantendo-se, agora de forma totalmente precária após a crise política do governo Lula, como contenção das tendências combativas do movimento estudantil.
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