UnB
Professor de Ciências Políticas é acusado de racismo por estudantes

6 de novembro de 2006

“Não adianta dar dinheiro para essa criolada”, foi a frase pronunciada pelo professor do Instituto de Ciências Políticas da Universidade de Brasília (UnB), Paulo Kramer, professor à 19 anos da instituição e consultor político no Congresso Nacional, ao se referir na sala de aula às políticas públicas assistenciais adotadas pelo governo dos Estados Unidos na década de 60 à opulação negra norte-americana.

A colocação do professor chocou os estudantes, particularmente Gustavo Amora, um estudante negro. O mesmo procurou o professor pessoalmente para manifestar o seu descontentamento e não obteve como resposta nenhuma mudança de atitude por parte do professor, que pelo contrário, passou a ironizar os estudantes que não gostaram de suas colocações. Os estudantes então levam o caso à direção do curso onde não obtiveram nenhuma posição por parte dos professores chefes de departamento e então, decidiram formalizar a denúncia à reitoria da Universidade.

Após a denúncia, o professor passou a hostilizar mais ainda os estudantes em sala de aula chamando-os de "Ku Klux Klan negra" e falando ainda que: "Vou falar criolada quantas vezes quiser. Nem que eu seja obrigado a impetrar mandado de segurança". O professor ainda prometeu encaminhar a seu advogado um pedido de reparação no valor de R$ 3 milhões pelos danos causados a sua imagem. Por sua vez, Gustavo Amora, líder do grupo de alunos que formalizou a denuncia contra Kramer à reitoria da UnB, pretende responder ao ato processando o professor por crime de racismo.

A UnB tem sido palco o de diversos debates sobre a questão da descriminação racial. A instituição foi a primeira Universidade a adotar o sistema de cotas de 20% para negros no seu processo seletivo. E ainda teve um caso recente de grande repercussão nacional onde estudantes da mesma faculdade insultaram outros estudantes negros para criticar sistema de cotas adotado pela instituição através do site de relacionamentos, o orkut.

Esse caso, mais uma vez evidencia o ambiente retrógrado em que encontram as Universidades no país, onde uma burocracia de professores reacionária toma conta das instituições totalmente à margem dos interesses dos estudantes, ainda a mais dos trabalhadores e dos negros que são “barrados na entrada da universidade” pelo vestibular.

A única forma de se combater o racismo nas universidades é através da abolição dos mecanismos reais de exclusão dos negros que é o vestibular.