Brasília
MPL boicota ato em defesa do Passe-Livre em Brasília

7 de fevereiro de 2006

Na última quinta-feira, dia 2 de fevereiro, aconteceu mais uma manifestação em Brasília contra o aumento das passagens dos transportes coletivos do Distrito Federal, que está em vigor desde o dia 1º de janeiro. Atualmente o valor do transporte coletivo para a população das cidades satélites de Brasília, como Gama, Sobradinho, Ceilândia, Taguatinga, Planaltina, esta última apenas 40 KM da Capital, é de R$ 3,00. No dia anterior ao ato foi vetado pelo governador do DF Joaquim Roriz (PMDB) um projeto de lei aprovado pela Câmara Legislativa que implementava o passe-livre para estudantes secundaristas e universitários. De acordo com o projeto os donos das empresas de ônibus seriam obrigados a arcar com os custos das passagens.
O ato que teve inicio às 16 horas no Terminal Rodoviário do Plano Piloto e seguiu em passeata até o Palácio do Buriti, contou com a presença de não mais do que 300 manifestantes. Durante todo o trajeto, os estudantes foram seguidos por um cordão de isolamento da Polícia Militar. Ainda na sede do governo foi armado um forte esquema de repressão, que contou com a cavalaria e o Batalhão de Operações Especiais. Segundo informações da imprensa local, cerca de 1000 policiais foram mobilizados para a manifestação.
O pequeno número de manifestantes surpreendeu inclusive a polícia. No último ato, realizado no dia 13 de janeiro, mais de 1.500 estudantes e trabalhadores participaram da manifestação. A diminuição do número de participantes nas manifestações é resultado da política de capitulação do setor dirigente do movimento, o chamado MPL (Movimento Passe-Livre). É importante ressaltar que este movimento, apesar de seu discurso que prega a autonomia, o apartidarismo e a independência, é financiado e centralizado por alguns parlamentares do PT e do PSol. O caso mais evidente é da vereadora Marcela Moreira de Campinas-SP, eleita em 2004 pela legenda petista, migrou recentemente para o PSol. Esta vereadora administra não só o MPL de Campinas, como recentemente vem realizando reuniões na cidade de Brasília com as direções do movimento.
A função destes setores de esquerda ligados a partidos burgueses como o PT e o PSol é de controlar a radicalização da juventude trabalhadora, que diretamente atacada em seu direito de ir e vir, de freqüentar a escola, o trabalho ou mesmo de usufruir de seu direito ao lazer, se levanta contra a exploração do estado e dos capitalistas da máfia dos transportes. Ao invés de impulsionar uma evidente tendência a mobilização da massa estudantil e dos trabalhadores em todo o país, o MPL vem funcionando como uma camisa de força ao movimento. Sua atuação em Brasília é clara no sentido de entender que o resultado de sua política é a completa desmoralização dos estudantes.
Na manifestação do dia 13 de janeiro atacaram veementemente a atuação da juventude do Partido da Causa Operária, que de todas as organizações foi a única que realizou um amplo trabalho de agitação e propaganda distribuindo mais de 10 mil panfletos em diversos pontos da cidade, como na rodoviária e na UnB, dias antes da manifestação, convocando toda a população a participar do ato. Para o ato do dia 2 de fevereiro, que foi constituído uma frente ampla composta por diversas forças políticas para organizar a manifestação, boicotaram todas as iniciativas de se realizar um trabalho de agitação em massa na cidade, aplicando enfim uma política criminosa de esvaziamento para enfraquecer o movimento, cedendo a pressão de setores na cidade ligados a máfia dos transportes.
Em número muito inferior ao de policiais, alguns dos manifestantes que seguiram até o Palácio do Buruti tentaram fechar o cruzamento de uma importante avenida, a Via S1 cruzamento com o Eixo Monumental e foram violentamente agredidos pelos policiais. Pelo menos dois estudantes ficaram feridos e mais quatro foram presos.
A única maneira de organizar a luta para barrar o aumento das passagens e em defesa do passe-livre para a juventude e para os trabalhadores desempregados é a realização de comitês nos locais de estudo, trabalho e moradia, numa verdadeira campanha de envergadura nacional não só para impedir o aumento das passagens nas cidades, como também para exigir a estatização dos transportes, pondo fim ao controle de meia-dúzia de empresários mafiosos que expropriam a população para aumentarem cada vez mais os seus lucros.