Eleições antidemocráticas
É preciso acabar com a paralisia das entidades estudantis
Em meio ao processo de ataque das reitorias e dos governos aos direitos de organização política dos estudantes, a burocracia estudantil aprofunda ainda mais a política de falta de discussão acabando com as campanhas eleitorais estudantis
7 de novembro de 2006
O período eleitoral do movimento estudantil nas universidades, época de escolher as novas direções dos centros acadêmicos e dos diretórios centrais estudantis, acontece agora em novembro na maioria das universidades. As eleições seriam um processo onde os estudantes deveriam ter a oportunidade de discutir um programa de reivindicações entre os estudantes e os problemas da universidade.
As eleições das universidades estaduais de São Paulo, por exemplo, ocorrem ali em meio ao ataque das reitorias e do governo, que promovem uma caça às bruxas na universidade, tentando impor um verdadeiro clima de terror entre os estudantes. Esta que poderia ser uma oportunidade ainda mais favorável de realizar a ampla defesa dos direitos básicos de organização dos estudantes, de realizar uma contra-ofensiva do movimento estudantil, de denunciar à massa estudantil o processo de sucateamento por trás dos ataques, é totalmente boicotado pela atual burocracia nas direções dos DCE´s e CA´s.
Não existe, portanto, discussão de programas, defesa de propostas e, o que é principal, uma campanha que atraia a maioria dos estudantes para que haja um movimento real. Esta é a obrigação de qualquer diretoria estudantil combativa.
Ao contrário, quanto menos discussão e reivindicações houver entre os estudantes, mais se manterá o poder de diretorias estudantis fantasmas, completamente afastadas dos estudantes. A campanha, que deveria ser dos estudantes, acaba como uma campanha defendida pela burocracia estudantil, como meio de sobrevivência própria. A frente popular tradicional (PT-PCdoB) no movimento estudantil sempre se restringiu a uma minoria de estudantes, a um círculo de amigos nas eleições. A falência do PT e PCdoB nas principais universidades públicas não encerrou o mesmo processo burocrático, agora levado a frente pelo que é um resquício mal acabado da frente popular, caso do PSol e do PSTU.
Da capitulação sindical à destruição do movimento estudantil
A natureza da atual falência do movimento estudantil e do esvaziamento completo das entidades se dá pelo controle destas por uma esquerda, antes de tudo estatal, partidária e influenciada pela atuação da burocracia sindical. Esta política de paralisia nos sindicatos serve para estabelecer as negociações mais criminosas entre patrões e burocratas sindicais. Isto, ao contrário do movimento estudantil, não determina a falência do sindicato. Este, antes de tudo, é arma jurídica dos trabalhadores, instituição à qual os trabalhadores são obrigados recorrer por uma questão econômica e de sobrevivência.
Esta mesma política levada pela frente popular (PT-PCdoB-PSol-PSTU) dos sindicatos às universidades só serve para decretar a falência do movimento estudantil e firmar acordos diretamente com a reitoria e com o governo, como o faz a “esquerda” que se cala frente à onda de repressão na universidade.
O movimento estudantil é um movimento fundamentalmente político, ou seja,
o movimento estudantil existe apenas como uma luta pela consciência política dos estudantes da necessidade de enfrentar o Estado pelo atendimento aos seus interesses. O centro acadêmico e os DCE´s, tratados como aparelhos em si não são absolutamente nada e sequer interferem no funcionamento da universidade. A preocupação do movimento estudantil combativo deve ser em torno da luta pela mobilização dos estudantes e não pela disputa de cargos inexistentes, que são mero status e formalidade se não estão vinculados a qualquer apoio e mobilização dos estudantes. |