Brasília
Estudantes protestam e fecham rodoviária contra aumento de 20% nos ônibus

8 de janeiro de 2006

Cerca de 500 estudantes protestaram nesta quinta-feira na Rodoviária do Plano Piloto de Brasília contra o aumento de R$ 2,50 para R$ 3,00 nas passagens intermunicipais. O aumento do preço da passagem, que se torna a mais cara do país, foi anunciado pelo governo do Distrito Federal , de Joaquim Roriz (PMDB), em nome das empresas de ônibus, que atuam em Brasília e suas cidades satélites como Guará, Águas Claras, Taguatinga e Samambaia, típicas cidades dormitórios de população de quase totalidade operária. O aumento de 20% atinge em cheio a população trabalhadora que se concentra principalmente no entorno da capital e que utiliza do transporte público para diariamente ultrapassar distâncias de mais de 30 quilômetros entre seu local de moradia e trabalho. Em Brasília, enquanto o Plano Piloto concentra 625.000 habitantes, as cidades satélites possuem mais de 2,2 milhões.
Além do aumento o governo do estado torna cada vez mais o sistema de transporte precário. “Para pagar a diferença todos os dias vou ter que deixar de comprar muita coisa para a minha casa. A passagem é cara e os ônibus são horríveis” reclama o carroceiro Antônio Alves Rodrigues, 55 anos, morador de Planaltina e que acompanhou os protestos de perto ( Correio Braziliense , 7/1/2005). Está colocado em prática além do aumento da passagem, a redução de linhas na cidade, o que piora ainda mais a qualidade do serviço aumentando o intervalo entre um ônibus e outro. A Secretaria de Transportes confirmou no dia dos protestos o que até então o governo fazia clandestinamente, : há a suspensão temporária de quatro linhas, que ligam Sobradinho e Planaltina ao Plano Piloto e também reduções de números de ônibus para as cidades de São Sebastião, Setor Sudoeste, Sobradinho, Plano Piloto e Planaltina.

Capitalistas dos transportes contra estudantes e trabalhadores

O aumento da passagem é um ataque dos empresários dos transportes, classe exploradora de milhões de pessoas que não mede esforços para aumentar seus lucros. Este é um ataque essencialmente contra a camada mais despossuída da população e que mais necessita do transporte público: os trabalhadores e a juventude. No menor dos casos, para um trabalhador que utiliza o transporte uma vez por dia, o aumento representa R$ 20 a menos mensalmente, o que representa 7% do salário mínimo, com o que se compra 100 pães franceses, 15l de leite ou 13kg de arroz. O valor é quase todo o desconto da Previdência de um assalariado. Os trabalhadores desempregados se encontram em condições ainda piores.
A juventude que lidera os protestos mesmo sendo a camada mais despossuída da população tem sua vida cada vez mais cerceada e impossibilitada, tendo cortados sua possibilidade de estudo ou mesmo de trabalho, que dirá ter acesso a outros bens essenciais como cultura ou lazer. Os empresários dos transportes em todo o país retiram os bens essenciais da população cada vez mais explorada, alegando que deve haver redução de custos, sendo esta uma atividade superlucrativa por natureza devido ao seu parasitismo, área que é disputada a todo o custo pelos piores mafiosos através das prefeituras.