Ponta Grossa – RS
Estudantes impedem aumento de passagem de ônibus

9 de abril de 2006


500 estudantes, universitários e uma maioria de secundaristas, além de sindicatos e a população, tomaram o terminal da de Ponta Grossa, no Rio Grande do Sul contra o aumento da tarifa que elevaria a passagem da cidade à taxa mais cara do Estado.
Eles fecharam por mais de cinco horas, a partir das 9 horas da manhã, a passagem de carros e ônibus. Conseguiram uma reunião com a prefeitura de Pedro Wosgrau Filho (PSDB), que adiou o aumento, e que prometeu uma reunião com lideranças dos manifestantes.
A prefeitura fecharia um acordo com a VCG (Viação Campos Gerais), a associação das empresas de ônibus no qual a passagem poderia ir a um preço de 1,95 a 2,30.

Defensiva da prefeitura

Os estudantes ao serem intimados pela polícia em nome da prefeitura que deixassem o terminal, continuaram até que a prefeitura deu um parecer às 11:30 de que o reajuste seria para R$1,95, proposta rejeitada pelos estudantes que queriam barrar o aumento. Às 13 horas, então, a prefeitura comunicou o cancelamento do aumento e ainda para que segundo esta, antes de ser realizado o aumento, tenha-se a aprovação do movimento.
O último aumento foi durante as férias, ou seja, os empresários com sede de lucros não esperaram nem seis meses para apresentar outro aumento. Caso seja aprovada a proposta mais favorável aos interesses dos empresários, em cinco meses, portanto, o transporte terá aumentado 70 centavos.
Os manifestantes exigiram também o que passe estudantil possa ser usado em quaisquer horários, o que foi barrado com a implementação do bilhete eletrônico, além de outras reivindicações.
A organização que se auto-intitula "Movimento Cidadão por Melhoria do Transporte Coletivo" também irá incluir em suas bandeiras o passe-livre.

Ascenso estudantil e necessidade de uma nova direção pela base

O movimento em Ponta Grossa é mais um sinal da popularidade que ganha a bandeira do passe-livre entre a juventude e vira pauta entre a população trabalhadora, graças aos movimentos espontâneos que vêm ocorrendo em diversos estados, pela crescente revolta estudantil frente às condições insustentáveis de vida impostas pelo regime político a nível municipal estadual e federal.
A direção do movimento estudantil de uma forma generalizada, uma direção governista nas entidades municipais e da Ubes estão a reboque de um movimento que surge das bases, o que inclusive a obriga a já levantar a bandeira do passe livre demagogicamente. Estas entidades, tomadas pelo “mofo” da burocracia necessitam de uma direção independente dos capitalistas dos transportes, dos parlamentares que pretendem corromper os movimentos do berço, além de se opor à atual direção do movimento estudantil que parasita em cima do atual passe estudantil. Estas direções se opõem à extinção de seu meio próprio de sustentação, o que os afasta imensamente dos interesses estudantis, que as fazem apoiar-se, portanto, nas máfias dos transportes, no negócio de taxas à população mais superlucrativo do país.
Os estudantes devem, portanto, elevar a um primeiro plano a luta contra o acordo das direções estudantis com o governo e os capitalistas, exigir o passe livre e o direito ao transporte com a apresentação simples de um documento estudantil e acabar com os cargos para os burocratas mirins da prefeitura.