| 50º Congresso da UNE
Programação do 50º Conune é feita para defender o regime político
10 de julho de 2007
Vários painéis e palestras aconteceram com a participação de personalidades políticas e parlamentares burgueses. Nesses painéis, sem discussão política, essas “personalidades” faziam propaganda governista e tentavam levantar o moral do regime político falido
O 50º Congresso da UNE foi marcado novamente pela falta de discussões políticas entre os estudantes. Houve pouco espaço para os grupos de discussão (GDs) e o que marcou a programação do congresso foram os painéis e conferências recheados de defesa do governo e do regime político burguês.
Já no primeiro dia aconteceu uma solenidade em pleno Congresso Nacional, onde Gustavo Petta, presidente da UNE, recebeu todos os cumprimentos e afetos dos parlamentares burgueses em homenagem aos 70 anos da UNE. Com alguns estudantes que quiseram participar da solenidade sendo barrados na porta sem poder participar.
Este início já demonstrava o caráter da política da direção da UNE que predominou durante o Conune. Vários painéis e palestras aconteceram com a participação de personalidades políticas e parlamentares burgueses. Nesses painéis, sem discussão política, essas “personalidades” faziam propaganda governista e tentavam levantar o moral do regime político falido. Ricardo Berzoini, Ciro Gomes, Luciana Genro e até o reitor da UnB estiveram entre os convidados, verdadeiros representantes da política burguesa contrários à luta dos estudantes.
Os grupos de discussão, que seriam os mais importantes, pois são os espaços onde deveriam acontecer discussões, políticas foram deixados para segundo plano. A minoria dos estudantes participou dos poucos GDs, que eram tumultuados pela maneira como eram conduzidas as intervenções, sem respeito às falas e ao debate aberto.
O congresso contou com um ato farsesco montado pela UJS em frente ao Banco Central, pedindo o “fora Meireles”. Num momento de crise no Congresso Nacional a direção da UNE convoca um ato para desviar o foco dos estudantes, colocando o problema não como uma questão da política levada pelo governo e de toda a podridão que é o regime político e suas instituições falidas, mas como se o grande problema fosse a presença do presidente do Banco Central.
Depois de toda a propaganda governista e a total falta de discussão política, como uma programação feita com o nítido intuito de salvar o regime político, o 50º Conune só poderia terminar com uma plenária final onde o que menos se viu foi debate político. As propostas são votadas de maneira atropelada e a massa de delegados fraudados levados pelo blocão da direção majoritária aprovam a política deste bloco e os elege mais uma vez para se perpetuar na direção da entidade.
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