| ”Fora Meirelles”
UNE critica economia para proteger o governo mensalão
10 de julho de 2007
De um lado, o PCdoB pelo “Fora Meirelles”. Do outro, o PSol com sua campanha “Fora Renan”. Qual é a diferença?
Diante das grandes mobilizações que os estudantes demonstraram neste último mês, com ocupações de reitoria e greves nas universidades, além de greves também entre os trabalhadores, como na CSN, nos metroviários, nos petroleiros e em todo o funcionalismo público, a UNE é forçada a adotar uma política contra a política econômica do governo.
Encabeçam a campanha “Fora Meirelles” (Henrique Meirelles, presidente do Banco Central) e procuram destacá-lo do governo como se fosse um homem isolado, que decida tudo sozinho sem qualquer intromissão do presidente Lula.
Essa campanha nem por engano pode ser encarada como uma campanha contra o governo Lula, até porque o PCdoB é um dos partidos da base do governo. Na realidade, ela expressa o descontentamento de um setor da burguesia nacional com aspectos da atual política econômica e tem por objetivo uma reformulação e, portanto, uma melhoria do governo Lula.
A política que visa a reformular partes do governo e não atacar o poder de fato, é uma política situacionista. Essa questão é importante para esclarecer não só a falsa política de oposição que o PT levou durante toda a década de 90, como também, e principalmente, a levada atualmente pelas organizações da ala esquerda da frente popular, como PSol e PSTU.
O caso do PSol é o mais evidente, ao fazer uma campanha contra um ou dois corruptos do Congresso Nacional, encobrindo que na realidade todo o Congresso está afundado em corrupção. Se Renan Calheiros e Joaquim Roriz renunciarem, o PSol se contentará ou passaria a denunciar um por um até que todo o Congresso fosse dissolvido? No entanto, não é preciso esperar vir à tona uma denúncia contra um parlamentar para pedir a sua cassação.
O PSol é a oposição institucional do regime burguês e tábua de salvação para todos os tradicionais partidos burgueses. É um partido que necessita de seus parlamentares para ditar uma política direitista e reacionária, se colocando contra até mesmo de direitos elementares da classe operária, como a discriminação do aborto.
A crise que envolve o terceiro homem da linha de sucessão à presidência da República é a crise de todo o regime político. Na tentativa desesperada de salvar Renan Calheiros, outros políticos também são denunciados em esquemas de corrupção. São envolvidos na crise até mesmo aqueles parlamentares que estão denunciando a base aliada do governo, provando mais uma vez que a corrupção não é obra de meia dúzia de políticos burgueses, mas é a engrenagem principal para o funcionamento do Congresso e do regime político.
Todas estas mobilizações operárias e estudantis são apenas uma amostra do que ainda está por vir. Grandes mobilizações de massa sairão às ruas contra o governo, passando por cima de todas as burocracias que dominam as entidades estudantis e os sindicatos, formando novas organizações de luta e revolucionário.
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