Aonde vai o movimento estudantil
A UNE e a ocupação da USP

10 de julho
de 2007

As greves e ocupações realizada pelos estudantes demonstraram uma forte tendência de uma reorganização do movimento estudantil por fora das burocracias e de caráter revolucionário

O 50º Congresso da União Nacional dos Estudantes (Conune), que teve início nesta quarta-feira, dia 4, em Brasília, está sendo realizado logo após as imensas mobilizações estudantis que ocorreram por todo o País entre maio e junho deste ano, com ocupações de reitoria e institutos em diversas universidades, ou seja, uma mobilização histórica contra a destruição do ensino público, certamente um dos mais importantes movimentos nos últimos trinta anos.
Entretanto, apesar da ampla participação dos estudantes nestes movimentos de ocupação, que tiveram a participação de milhares de estudantes, não se vê no Congresso da UNE nada parecido,.
Na realidade, este congresso em nada tem a ver com essas mobilizações, pois segue o mesmo roteiro de sempre; que é substituição de uma burocracia por outra. No caso, o PCdoB, que há mais de vinte anos domina a direção da UNE para transformar uma entidade que surgiu a partir da luta histórica dos estudantes numa verdadeira filial do governo.
Em primeiro lugar, a mobilização dos estudantes, iniciada com a ocupação da reitoria da USP e que se espalhou por mais de dez estados, foi um movimento que passou totalmente por fora da UNE, pois sua direção não tem o menor interesse em dar qualquer tipo de apoio ao movimento dos estudantes, pelo contrário, o PCdoB/UJS foi o primeiro a se colocar contra estes movimentos, ainda mais ainda mais sendo estes voltados diretamente contra os governos estaduais e federal.
Esta mobilização, que está longe de ser um fato isolado e muito menos encerrado, forçou a própria burocracia da UNE a tentar colocar uma fina cobertura "combativo" no Congresso, falando inclusive que a partir de agora seriam “mais críticos” do governo. Levando-se em consideração que nunca foram críticos de nenhum governo, seja PSDB, PMDB ou até mesmo PFL, pode-se imaginar a oposição que farão ao governo Lula, governo do qual são integrantes oficiais. Não se trata de uma guinada à esquerda, como poderia parecer, mas de uma política defensiva diante da pressão que os estudantes realizaram nacionalmente com estas mobilizações. Esta manobra, no entanto, não conseguirá salvá-los da crise em que se encontram, cuja tendência é, na realidade, um aprofundamento ainda maior.
As greves e ocupações demonstraram claramente qual é a tendência dos estudantes, que é a de se reorganizarem por fora da burocracia estudantil, incrustada nas suas entidades (CAs. DAs, DCEs) há anos. Isto significa que a questão central não é reconstruir a UNE ou então construir uma nova entidade, mas acompanhar a tendência geral dos estudantes em formar novos tipos de organizações, de caráter revolucionário, adaptadas às novas exigências impostas pela luta real.
A política do PSTU de afirmar que a UNE não é mais dos estudantes e que ela já não pode ser mais uma entidade de luta, tem como objetivo apenas esconder o fato de que estão dando de presente a direção da UNE para o PCdoB, pois não querem brigar com a burocracia e disseminar uma política distracionista, tirando do foco a profunda crise destas direções. Isso porque o próprio PSTU sempre fez parte da burocracia junto com o PCdoB.
A “nova” organização que o PSTU quer construir não passa, na realidade, de um novo disfarce para continuar levando a mesma política do PCdoB/UJS em crise na UNE.
Esse fato fica mais que comprovado quando observamos que a política do PSTU e do PCdoB na ocupação da USP foi a mesma; se colocar contra a ocupação e a mobilização estudantil desde o início.
Uma das grandes preocupações do PCdoB, que junto ao PT e PMDB estão na direção do DCE da USP, era a de impedir que estas mobilizações ecoassem para dentro do Congresso. Por isso não fizeram questão nem mesmo de realizar eleições para delegados na USP e até mesmo de não enviar um único ônibus para que os estudantes fossem a Brasília.
A Conlute é uma tentativa de resgatar a mesma política da UNE, que está em colapso. Nunca conseguirá substituir a UNE, justamente por essa ser uma entidade histórica e resultado de uma grande mobilização, mas serve como o suporte ideal para salvar a crise da direção da UNE, ou seja, uma tábua de salvação para o PCdoB.
O fato mais importante demonstrado pelos estudantes é a sua tendência em se reorganizar por fora destas burocracias, de forma revolucionária.