Conune
Mais do mesmo na direção da UNE

11 de julho de 2007

O 50º Congresso da UNE, marcado pela falta de discussão política, oficializou a manutenção da UJS/PCdoB na direção da entidade

O congresso de fachada da União Nacional dos Estudantes homologou a nova diretoria da entidade, que já era totalmente prevista. A chapa que elegeu a presidente da UNE, Lucia Stumpf, “1º de fevereiro” era composta pelo PCdoB, PT, PSB e PMDB.
A apresentação da chapa foi em defesa do governo e em nada demonstrando um verdadeiro vínculo com a nova etapa por que passa o movimento. O PSB afirmou que a chapa foi “construída no dia-a-dia, na base do movimento real, nas discussões e disputa pela reforma universitária”. Uma completa farsa, onde o grupo apresentou o maior ataque às universidades, a reforma universitária, que desvia dinheiro público para os tubarões do ensino, como forma de “democratizar a universidade”. A articulação do PT mensalão, grupo de Lula, afirmou que o “congresso marca unidade do movimento estudantil em torno de um projeto de radicalização da democracia nas universidades”. Entretanto a entidade e o próprio encontro não possuem nenhuma ligação com as lutas estudantis, como deixa claro o fato de os estudantes que fizeram a maior luta dos últimos anos no movimento estudantil, como os da USP, colocando em xeque a reitoria e o governador José Serra do PSDB, não terem participado com delegados do congresso.
A chapa defendeu insistentemente a “democracia na entidade”, afirmando que o processo que estava sendo realizado era mais democrático que os outros. Isso demonstra que a forte denúncia que fez a Aliança da Juventude Revolucionária no congresso-farsa de que não havia ali nenhuma possibilidade de decisão política, onde os delegados são a grande maioria forjados, teve forte repercussão.
Numa tentativa de camuflar a verdadeira ditadura imposta pela UJS/PCdoB que no último Conselho de entidades de Base (Coneb) realizado ano passado, não chamado por cerca de 10 anos, aprovou a redução da participação dos estudantes no congresso. Isso ocorreu justamente pela decadência da burocracia, que já não consegue conter a radicalização dos estudantes e a identificação de que a direção da entidade está em oposição à luta dos estudantes por suas reivindicações.
A intervenção da UJS/PCdoB foi feita pela nova presidente da entidade, Lucia Stumpf, de que a entidade “Vai ser a UNE dos artistas no Cuca, dos rondonistas, dos trabalhadores, do MST, de todos os estudantes de escolas pagas que sofrem todos os dias com a repressão dos tubarões de ensino. A UNE dos próximos dois anos vai ser a UNE das ocupações nas universidades públicas, a UNE na luta das mulheres.”
A UJS, na direção da entidade há duas décadas, se tornou um verdadeiro departamento do governo, fazendo caravanas em defesa dos ataques promovidos pelo governo às universidades. Na USP, a ocupação da reitoria durou 51 dias e não teve nenhuma participação da UNE, e o DCE que tem na direção o PCdoB, PT e PMDB, se colocou frontalmente contra o movimento. Esta tendência de luta dos estudantes em defesa da universidade pública e de ultrapassar a burocracia estudantil está se apresentando em todo o país e por isso o PCdoB se declara a favor dos movimentos de ocupação para tentar esconder o total repúdio dos estudantes.