Balanço do Coneg
Reunião da burocracia estudantil deixa evidente a crise da UJS/PCdoB na UBES

11 de setembro de 2007

A direção da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), controlada pelo PCdoB, organizou uma farsa no 10º Conselho de Entidades Gerais da UBES e transformou o que deveria ser um encontro para organizar os estudantes nacionalmente em torno de uma reivindicação do movimento estudantil em um ato eleitoral de governo antioperário de Lula para enganar os estudantes.
O Conselho da UBES não teve nenhuma relação com as importantes mobilizações estudantis realizadas no último período como a ocupação da reitoria da USP por 51 dias contra o governo fascista de Serra e as manifestações pelo passe-livre em S. Paulo e no restante do país.

Um encontro burocrático

O Coneg segue o mesmo roteiro dos últimos anos, que é a ausência de lutas e a subordinação do movimento estudantil aos governos burgueses e empresários.
Não há democracia nenhuma, a começar pelas eleições de delegados, em que a UJS – União da Juventude Socialista (juventude do PCdoB) utiliza atas fraudadas e elege delegados de entidades fantasmas. Os últimos congressos da entidade, assim como foi o 10º Coneg, não há nenhum poder de decisão política pelos estudantes.
O Conselho deveria reunir as entidades estudantis de todo o país de estudantes secundaristas, técnicos, cursinho, entretanto foi realizado com cerca de 200 delegados, ou seja, um conselho esvaziado, que não reflete nada das reivindicações estudantis para que a burocracia estudantil em crise possa manter sua ditadura.
Na abertura do Coneg, realizada na Assembléia Legislativa de São Paulo (ALESP), os estudantes não puderam fazer nenhuma intervenção. Segundo o atual presidente da UBES, do PCdoB, Tiago Franco, a ALESP foi “gentilmente cedida para a abertura do Coneg” e vale ressaltar, não haveria local mais adequado, uma vez que a atividade e a entidade adquiriram um caráter de completa subordinação às fictícias organizações legislativas do regime burguês.
A farsa do Conselho não teve sequer verdadeiros grupos de discussão em que os estudantes debateriam idéias de como lutar em defesa do ensino público, por exemplo. Foram realizados seminários e palestras, com representantes do governo, do Ministério da Educação, uma farsa total da burocracia, uma fachada para publicar apoio ao governo dos tubarões do ensino e Lula.
A plenária final, com cerca de 350 estudantes, foi realizada no “palácio de trabalhador”, da Força Sindical, entidade criada pelos patrões contra os trabalhadores, dos quais a UJS/PCdoB tem simpatia. Na entrada do local era pedido que só os estudantes credenciados no Conselho entrassem, com o crachá, uma afronta a democracia do movimento, onde qualquer estudante deveria ter o direito democrático de participar.
O PCdoB formou um bloco com o MR-8/PMDB e o PT e aprovaram todas as suas propostas, como o apoio ao governo Lula e o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), uma operação montada pelo governo Lula para distribuir dinheiro a empresários de diversos setores fazendo demagogia com as necessidades da população e usando como pretexto o suposto atendimento da demanda do País por educação pública. Além disso, declaram seu apoio à política do governo Lula de sustentar os  capitalistas do ensino privado com o dinheiro que deveria ser investido na educação pública e reivindicam a “regulamentação do ensino pago” que é a exclusão dos estudantes inadimplentes das faculdades privadas.
Aos gritos de “movimento estudantil unificado para as mudanças do Brasil”, o bloco defensor do governo dos banqueiros votou ainda contra a luta pelo passe-livre, direito que os estudantes reivindicam por todo o país, inclusive sofrendo repressão por parte dos governos estaduais.

Uma amostra do que será o Congresso da UBES

A burocracia apresentou o novo regimento para o 37º Congresso da UBES (Conubes), que será realizado nos dias 6 a 9 de dezembro de 2007. O local será definido a portas fechadas pela diretoria da entidade nos próximos meses. As possíveis cidades onde será realizado o congresso  são Curitiba (PR), Vitória (ES), Goiânia (GO) e Belo Horizonte (MG).
Entre os dias 5 de outubro a 18 de novembro de 2007 serão realizadas as etapas estaduais, um golpe da burocracia para reduzir de quase 12 mil estudantes que participavam dos congressos, para um delegado a cada 2000 estudantes, ou seja, cerca de 2.500 participantes no congresso.
A falta de discussão política e o esvaziamento do Coneg demonstram o aprofundamento da crise da Frente Popular e da burocracia estudantil que bloqueia a luta dos estudantes.