Não ao golpe
Assembléia dos estudantes da USP deve exigir a formação de uma comissão de negociação democrática para discutir com a reitoria

Os traidores da maior luta dos estudantes dos últimos anos, o DCE dirigido pelo PCdoB, PT e PMDB com a ajuda do PSol, PSTU e LER querem agora desmoralizar a ocupação e monopolizar as negociações com a reitora impondo uma comissão de negociação de fachada composta por elementos que traíram o movimento

13 de setembro
de 2007

As manobras da burocracia estudantil contra os estudantes não acabaram com a derrota imposta pela traição da ocupação da reitoria da USP através do acordo firmado sem que a reitora atendesse qualquer as reivindicações do movimento. O Diretório Central dos Estudantes (DCE) dirigido pelo PCdoB, PT e MR-8(PMDB), com a contribuição de seus seguidores PSol e PSTU, querem se impor como representantes dos ocupantes em uma comissão formada para acompanhar, junto à reitoria, os encaminhamentos prometidos pela direção da universidade em resposta ao movimento de ocupação.

São as mesmas pessoas que, em uma reunião do Conselho de Centros Acadêmicos (CCA), que foi desmarcada por três vezes e acabou por ocorrer às escondidas, sem sequer ter sido convocada para este fim, aprovaram indicar nomes para formar a comissão que trabalhará junto à reitoria. Curiosamente, todas as pessoas indicadas no CCA se colocaram contra a ocupação e defenderam o acordo vergonhoso com a reitora Suely Vilela, que colocou os estudantes para fora da reitoria sem nenhuma reivindicação atendida.

Os novos velhos traidores

O DCE (PT-PCdoB-PMDB), por exemplo, logo nos primeiros dias da ocupação, publicou um documento contra a ocupação em que afirmava que “levando em conta os avanços conquistados com a ocupação e o esgotamento da negociação, já sinalizado pela Reitoria, entendemos que a desocupação imediata da Reitoria é a melhor forma de garantir estas conquistas e avançar na mobilização contra os decretos.” (11 de maio – pouco mais de uma semana após o início do movimento que durou 51 dias).

Os estudantes em assembléia com mais de mil pessoas, rejeitaram a chamada contraproposta da reitora e a política de capitulação do DCE.

A reitoria ficou ocupada pelos estudantes por 51 dias justamente por ser um movimento que ocorreu fora das entidades estudantis esvaziadas, controladas por uma burocracia estudantil. Tanto o DCE “mensalão”, como o PSol e o PSTU não tinham nenhum controle sobre o movimento e por isso, tentaram insistentemente sufocar o movimento.

Agora estes mesmos que derrotaram o mais expressivo movimento de luta dos estudantes nos últimos anos querem desmoralizar as reivindicações dos estudantes, reduzindo a pauta a pó, formando a comissão dos rejeitados pelo movimento de ocupação para impedir o verdadeiro movimento estudantil.

A assembléia marcada para esta quinta-feira, assim como as anteriores não foi convocada e nela os representantes da ala conciliadora, que busca um acordo com a reitoria contra o movimento dos estudantes, tentarão novamente aprovar que traidores da luta, participem da comissão.

É necessária a participação ampla dos estudantes para barrar mais este ataque ao movimento estudantil.

Por uma comissão formada por quem participou da luta

A comissão para negociar as reivindicações dos estudantes com a reitoria da USP deve ser formada por quem defende o interesse do conjunto dos estudantes e participou da luta, na ocupação.

Não há como aceitar a tentativa de indicar para a comissão grupos e pessoas que impuseram a derrota aos estudantes na ocupação.

A comissão deve ser ampliada para que tenha a participação de pelo menos 15 estudantes que estiveram em luta e com rotatividade dos membros, para que a negociação seja feita sobre bases minimamente democráticas.

Nesta comissão deve ser adotado mesmo método utilizado durante a ocupação, levando a posição da reitora para a assembléia geral dos estudantes decidir.

A comissão discutirá também a punição dos estudantes que, vale lembrar, ainda não ocorreu apenas pelo medo que a reitora tem do movimento e da força que demonstrou ter.

Apenas quem participou da ocupação e não vacilou diante da pressão do governo e da reitoria deve participar das reuniões para discutir as necessidades dos estudantes.