| Repressão
Governo Serra e reitoria ameaçam punir estudantes da USP
14 de agosto de 2007
Reitoria da USP prepara relatório para punir os ocupantes da reitoria para “dar exemplo” para todo o movimento que surgiu com a ocupação
Após a ocupação da reitoria da USP, Universidade de São Paulo, de 51 dias pelos estudantes em defesa da universidade pública, a reitoria e o governo Serra colocaram em marcha uma forte perseguição aos estudantes que realizaram o movimento. A reitoria da USP divulgou esta semana na imprensa que “ainda não contabilizou todos os danos causados pelos estudantes”. O suposto levantamento está sendo feito pela consultoria jurídica, sem prazo para sua conclusão.
Segundo o jornal Folha de São Paulo “a partir do relatório, a instituição deverá processar civilmente os alunos e cobrar os gastos com os reparos. Também não teve início o processo administrativo contra os invasores, que ainda estão sendo identificados a partir de imagens de TV e de fotos de jornais e revistas. “
O Comitê de advogados formado para defender os estudantes que estão sofrendo processo informou que há inúmeros inquéritos policiais contra os estudantes. Ou seja, o que o governo e reitoria não puderam fazer durante a ocupação, querem fazer agora: reprimir duramente os estudantes.
O movimento estudantil da USP demonstrou as tendências revolucionárias da juventude e o poder de colocar o governo, que realiza ataques sistemáticos à população, contra a parede. Nem a reitora, nem o governador puderam reagir diante do imenso movimento que expôs para toda a sociedade a crise da universidade pública.
Restou a eles apenas a ameaça da repressão policial que se desmoralizou completamente. Apenas conseguiram acabar com a ocupação com a contribuição de seus pupilos no movimento estudantil do DCE (PT, PCdoB e PMDB), PSol-PSTU e LER, que desde o início boicotaram a ocupação.
O acordo defendido por esta verdadeira burocracia estudantil, foi um acordo de punição em que a reitora cria uma comissão de sindicância para avaliar os “abusos e excessos” cometidos pelos estudantes.
A conduta da reitora e do governo revelam que se trata de uma luta encarniçada entre os exploradores do ensino público, de um lado, e seus defensores, de outro.
Por isso, a tarefa central imediata de todo o movimento estudantil do país é realizar uma ampla campanha contra as punições, para denunciar que a reitoria e o governo “democrático” do PSDB estão fazendo em matéria de perseguição política e repressão que procuraram instalar nas universidades paulistas. |