| Movimento Estudantil
No dia 11 de agosto a UNE comemorou seu 70º aniversário
15 de agosto de 2007
Nestes 70 anos, torna-se necessário um balanço que sirva como base para uma nova fase, de total ruptura com o passado, para a entidade histórica do movimento estudantil brasileiro
A União Nacional dos Estudantes foi criada em 11 de agosto de 1937, na Casa do Estudante do Brasil no Rio de Janeiro, o então Conselho Nacional de Estudantes, em um período contra-revolucionário que antecedeu o golpe do Estado Novo semi-facista de Getúlio Vargas. Esteve nas mãos do governo ditatorial e seguiu o nacionalismo burguês durante a República Liberal.
A partir do golpe de 1964, com o início do regime militar, manteve-se na clandestinidade. A ditadura perseguiu, prendeu, torturou e executou centenas de estudantes. A sede da UNE na praia do Flamengo foi invadida, e queimada no dia 1º de Abril. A representatividade da entidade foi retirada pela Lei Suplicy de Lacerda e em 1968, foi destruída pelo regime militar, no Congresso ocorrido na cidade de Ibiúna, interior do estado de São Paulo, onde os estudantes que participavam foram presos.
A partir de 1974, o movimento estudantil começa a reagrupar-se reivindicando o fim da ditadura militar e a vigência das liberdades democráticas. Em 1977, os estudantes saem às ruas por todo o País e em 1980 no Congresso de Salvador, na Bahia a União Nacional dos Estudantes é reconstruída.
Durante o processo de democratização da entidade, que fez parte de toda uma operação da burguesia para conter a crise do regime militar que se aprofundou com o ascenso do movimento operário em 1978, a União da Juventude Socialista (UJS), juventude do PCdoB, torna-se direção da UNE.
A partir daí a organização dos estudantes é levada à paralisia e a mais profunda e degradante integração ao Estado-burguês, tornando-se um apêndice do Ministério da Educação.
Em 1992 depois da campanha pelo Fora Collor, em que os estudantes se mobilizaram e derrubaram o presidente, a direção da UNE faz um acordo com o governo que garantiu à burocracia estudantil o monopólio da emissão das carteirinhas de meia-entrada. A partir disso, ficou institucionalizado o recebimento de milhões do governo pela UNE, fortalecendo um mecanismo de contenção das lutas dos estudantes através da corrupção de suas direções. Através deste esquema de corrupção, o movimento estudantil entra em um longo período de paralisia e os laços entre a direção da entidade estreitam-se cada vez mais com os sucessivos governos.
Esse papel contrário aos reais interesses dos estudantes que cumpre a direção da UNE torna-se evidente se analisarmos sua participação nas últimas lutas travadas pelos estudantes. Em 2005, na campanha das universidades estaduais contra o veto de verbas do governo Alckmin, que se desenvolveu em uma greve nas universidades estaduais e mobilizou milhares de estudantes nas ruas de São Paulo, a direção da UNE simplesmente não tomou parte na luta. A UJS, como direção da UNE, não cumpriu o que seria sua obrigação de suposta direção do movimento estudantil nacional e estadual; não organizou todos aqueles estudantes que estavam em luta contra o governador.
Apesar do tamanho do movimento, sua dispersão e a falta de uma organização levaram os estudantes a uma derrota diante do governo, inclusive jogando-os a uma brutal repressão da tropa de choque da Polícia Militar de São Paulo.
Os estudantes, principalmente das universidades do estado de São Paulo, enfrentaram e ainda enfrentam uma perseguição política deliberada por parte das reitorias. Somente na Unesp, no ano passado, mais de vinte estudantes sofreram processos de expulsão da universidade por protestarem contra a situação precária destas. Na Unesp de Marília, alguns estudantes foram perseguidos pela reitoria por terem ocupado a diretoria do campus em uma manifestação. Em Araraquara, estudantes foram suspensas por distribuir panfletos com críticas à situação da universidade e a alguns professores e em Franca sete estudantes foram expulsos por realizarem um protesto contra a precária estrutura do prédio durante a visita do reitor ao campus. A direção da UNE mais uma vez não apoiou de nenhuma maneira a campanha que se deflagrou nas universidades contra a repressão ao movimento estudantil e deixou isolados todos os estudantes que sofreram perseguição política por parte das reitorias a mando do governo estadual.
Neste ano, a mobilização dos estudantes, iniciada com a ocupação da reitoria da USP, que se espalhou por mais de dez estados, uma mobilização histórica pela autonomia universitária e contra a destruição do ensino público, foi um movimento que passou totalmente por fora da UNE.
Portanto, apenas expulsando a UJS da direção da UNE é que será possível para os estudantes retomar suas entidades e torná-las novamente um instrumento de luta e de organização nacional dos estudantes.
Somente com a derrota da burocracia e sob controle das bases estudantis a UNE e as demais entidades serão reconstruídas para a luta e para a vitória do movimento estudantil contra o governo e a burguesia. |