Repressão
Unicamp abre segunda sindicância para reprimir estudantes

17 de agosto de 2007

Após o movimento de ocupação da Diretoria Acadêmica (DAC) da Unicamp, a reitoria finalizou uma sindicância de “apuração dos fatos” e está abrindo uma segunda para indicar e punir os “responsáveis”

Os estudantes da Unicamp ocuparam a Diretoria Acadêmica da Universidade, contra os decretos de Serra, pela contratação de funcionários e professores, contra a perseguição política ao movimento estudantil e pela construção de 1.500 vagas na moradia estudantil.

O reitor da Unicamp, José Tadeu Jorge, indicado pelo governador do estado,  que entrou com o pedido de reintegração de posse e fez constantes ameaças ao movimento, abriu um processo de sindicância durante as férias para tentar acusar os estudantes de furtos e depredação ao patrimônio público.

Abriram uma sindicância para “apurar os fatos” com a alegação de que sumiram três chancelas, um carimbo e papéis timbrados da DAC.

Os estudantes foram intimados e deram depoimentos para funcionários da universidade, membros da comissão de sindicância, sobre os objetos não encontrados, se era de conhecimento deles o local em que se encontram.

A comissão finalizou indicando a necessidade de ser formada uma nova comissão para que os “responsáveis sejam punidos”. Com o relatório e a conclusão desta nova sindicância, o reitor aplicará a punição, que pode ser, segundo o estatuto da universidade, elaborado na época da ditadura militar, de advertência a expulsão do estudante da universidade.

Assim como na USP, onde ocorreu o maior movimento dos últimos anos, com a ocupação da reitoria durante 51 dias, a reitoria e o governo querem punir os estudantes para impedir que as manifestações venham a se repetir e fortalecer.

Estão tentando transformar o movimento social em crime, para tentar ocultar os problemas políticos levantados por eles. Como, por exemplo, a situação lastimável em que se encontra a moradia estudantil, onde já foi interditado um bloco e outros estão com as paredes abaladas com risco de desabar a qualquer momento.

É necessário fazer uma ampla campanha para desmascarar todas as manobras para incriminar o movimento estudantil e punir os estudantes.