| Operação fascista nas universidades
Cresce a repressão ao movimento estudantil: sintoma da crise do regime burguês
17 de setembro de 2007
Os últimos acontecimentos na Faculdade de Direito da USP, no Largo São Francisco, trouxe novamente ao debate a verdadeira ditadura imposta dentro das universidades brasileiras aos estudantes
A operação fascista na Faculdade de Direito de São Paulo, Largo São Francisco, com a repressão de uma manifestação com a tropa de choque da Polícia Militar, e a intervenção do diretor, João Grandino Rodas, da ala direita da burocracia universitária que atacou a organização dos estudantes realizando uma assembléia, que não contou com mais de 100 alunos, para destituir o Centro Acadêmico, numa verdadeira operação policial que incluiu seguranças da universidade na porta do salão nobre da faculdade cedida pelo diretor, para impedir a participação dos estudantes.
Por ser uma ação escandalosa, não tem como negar que há uma clara intenção de acabar com qualquer mobilização estudantil, impedindo a própria existência do movimento estudantil e da independência das entidades.
Há fatos de não deixam dúvidas quanto a uma investida organizada contra o movimento estudantil, como a perseguição política ao militantes do movimento estudantil e em todo o país há sindicância contra estudantes. Recentemente a ocupação da reitoria da USP, que revelou um novo movimento, por fora das entidades estudantis totalmente esvaziadas e paralisadas pela política da burocracia estudantil, que são parte da frente popular. A ameaça do ascenso estudantil, que é característica de um período pré-revolucionário, colocou em alerta a direita da universidade.
Os estudantes fazem parte da pequena-burguesia, ou seja, são parte da própria burguesia e seu enfrentamento com o estado desestabiliza ainda mais o regime em crise.
Esta tentativa de reprimir os estudantes e esmagar a organização dos estudantes, vem no mesmo momento em que se aprofunda a crise no regime político, tanto em âmbito nacional como internacional.
Tentativa de barrar a tendência de ascenso no movimento estudantil
Há uma política definida em todo o País para calar os estudantes, que sofrem constantes ataques.
Os casos de repressão crescem assustadoramente em todas as universidades públicas, bem como nas instituições de ensino superior, faculdades privadas.
No ano de 2005, mais de 25 estudantes sofreram processo de sindicância na Universidade Estadual Paulista (Unesp). No campus de Franca sete estudantes foram expulsos por protestarem contra as péssimas condições da faculdade que chegou a ter um laudo do corpo de bombeiro com mais de 70 pontos de risco de desabamento e incêndio, ameaçando a integridade física dos estudantes. No campus de Marília, uma ocupação na diretoria da faculdade contra a péssima assistência estudantil, foi seguido de sindicância com ameaça de expulsão de 15 estudantes, entre eles toda a diretoria do Diretório Acadêmico. Em Araraquara, caso que deixou mais evidente a escalada repressiva ao movimento estudantil, duas militantes da Aliança da Juventude Revolucionária (juventude do PCO) sofreram aberta perseguição política da parte da direção da faculdade, ligada ao PMDB de Quércia, impedidas de distribuírem panfletos e sofrendo a suspensão da matrícula por seis meses em um processo fraudulento montado pela congregação da Faculdade de Ciências e Letras da Unesp.
Neste mesmo ano, na Universidade Paulista (USP), 80 estudantes foram ameaçados e sofreram um processo de sindicância por realizarem uma festa. Na Universidade Estadual de Londrina (UEL), a reitoria elaborou um “plano de segurança”, para controlar todos os passos dos estudantes com câmeras, construção de muros em uma mal disfarçada tentativa de repressão contra os estudantes.
Em diversos estados há denúncias de casos de perseguições e repressão aos estudantes.
Neste ano de 2007, após a maior luta dos estudantes dos últimos anos, a ocupação da reitoria da USP que enfrentou às ameaças da reitora, do governo Serra do PSDB, da justiça burguesa e da Tropa de Choque da Polícia Militar, por 51 dias, os estudantes estão sendo processados criminalmente e a reitoria apenas ainda não cumpriu as ameaças de punição por medo da resposta dos estudantes.
Este recente ataque na Faculdade de Direito da USP, aproveitando o fato de o movimento ser uma fachada do PCdoB, é uma tentativa do governo do estado, em parceria com a reitora Suely Vilela e o diretor Rodas, tentar recuperar a autoridade, que perderam durante a ocupação da reitoria e reprimir o movimento estudantil.
Na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), local onde os estudantes, seguindo a tendência de luta geral, ocuparam um prédio da universidade contra os decretos de Serra, que feriam a relativa autonomia das universidades, assim como os estudantes da USP e agora a reitoria abriu uma sindicância, processo interno feito para punir estudantes, e como se fosse a polícia, intima os estudante para dar explicações sobre a ocupação.
No Centro Universitário Fundação Santo André foram anunciados aumentos de 36% a 126% nas mensalidades e os estudantes ocuparam a reitoria reivindicando a suspensão do aumento abusivo, contratação de professores e melhora na qualidade dos cursos. Serra atacou de forma selvagem os estudantes, mandando a tropa de choque da polícia militar que na mesma noite da ocupação lançou bombas de efeito moral e bateu nos estudantes. Oito estudantes foram presos.
A direção das entidades do movimento estudantil estão a mais de 20 anos nas mãos do PCdoB, que as transformou em um departamento do governo, tanto federal quanto os estaduais e também dos proprietários das escolas pagas e portanto não divulgam todos estes ataques dos governos e empresários às universidades e ao movimento estudantil.
Retomada das lutas estudantis e operárias
A crise do governo Lula e da frente popular no Brasil, resultado da estagnação econômica e da crise interna da própria classe exploradora, trouxe à vista de toda a população a bandalheira no Congresso Nacional, com muitas acusações contra o presidente do Congresso, Renan Calheiros, e toda a cúpula do PT, que está no governo federal. A crise aérea, acirrada após o acidente da TAM deixando cerca de 200 mortos, também abalou o governo. Para tentar salvar os capitalistas da crise, o governo Lula terá que intensificar seu ataque à população, com corte das já defasadas verba de serviços essenciais como educação, saúde e transporte.
A repressão nas universidades deixa evidente que é uma tentativa de abafar o descontentamento dos estudantes, funcionários e professores com a situação do ensino, cada vez mais decaída e tentar impedir uma revolta aos ataques que estavam e ainda estão por vir, como o decreto do governador José Serra, retirando a relativa autonomia que possuíam as universidades paulistas.
Um regime autoritário e repressivo vem se instalando na universidade há anos através de medidas graduais adotadas pelas reitorias, diretorias e governos. Tem se tornado norma a proibição de panfletos, cartazes, pichações e outras formas de comunicação tradicionais do movimento estudantil.
É importante ressaltar que esta situação surge como resultado direto da política reacionária que exerce a frente popular em conjunto com a burguesia. Este enorme retrocesso político dentro da universidade é de responsabilidade direta do PT e PCdoB, através do controle de associações de professores e utilizando a autoridade com os estudantes não organizados e sem clareza política, e das direções das entidades estudantis também ligadas à frente popular, particularmente no que diz respeito à colaboração com a política da frente popular levada a cabo pelos grupos e partidos como o PSTU e o PSol, que funcionam como um acessório para o bloco governamental paralisar as lutas estudantis e sindicais, fortalecendo a ala direita a burocracia universitária.
A repressão aumenta de forma generalizada, o que ocorre por haver um grande descontentamento por parte da população e o governo procura evitar que se expresse, a todo o momento. Principalmente neste momento com grandes crises, o governo procura intensificar essas medidas repressivas, que se estendem a todos os setores da vida social.
O crescimento da repressão é um sintoma claro da crise do regime burguês. Os estudantes, embora por momentos, sejam capazes de realizar movimentos revolucionários, são uma parte da classe dominante, não do proletariado, o que aponta para uma situação de acirramento da luta entre as classes e que vem acompanhada de uma tendência de retomada das lutas no movimento operário com o aumento expressivo de greves.
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