Ocupação da USP
Negação da Negação: para fazer política revolucionária é preciso dar nome aos bois

O grupo estudantil da USP Negação da Negação (NN) escreve sobre a traição da ocupação da USP, mas não dá nome aos bois

18 de agosto de 2007

Na matéria divulgada no boletim do grupo estudantil da Universidade de São Paulo, Negação da Negação (NN), estudantes falam do golpe que acabou com a ocupação, mas não denunciam os grupos políticos traidores.
O texto não deixa claro que as organizações políticas que encabeçaram a desocupação foram: PT-PCdoB-PMDB (DCE), PSol , PSTU e LER. E que esses partidos formaram um bloco conciliador que, com uma ou outra variação, colocaram todas as suas forças para derrotar o movimento desde o início da ocupação.

Os estudantes da Usp e das outras universidades do país precisam saber que os estudantes foram vítimas de um golpe contra a sua luta por parte dessas organizações que fizeram um esquema montado para aprovar a desocupação. Criaram a comissão dos “facilitadores”, na realidade professores que fizeram o papel de mediadores entre a reitoria e os estudantes, chegando num “termo de acordo” que na realidade atendeu unicamente aos interesses da reitoria. Essa comissão foi criada pelo professor Luiz Martins, conhecido como “Luizito” que envolveu outros professores e funcionários numa manobra para fazer passar a desocupação sem qualquer conquista.

Isso porque os estudantes rejeitaram a mediação de professores, por serem o setor mais privilegiado e mais ligado à burocracia da universidade e que por essa proximidade e pelo conservadorismo acabam servindo invariavelmente de freio para a luta dos estudantes.

O movimento de ocupação da reitoria da USP deve servir de lição para os estudantes de todo o país, que não devem confiar nesses partidos pequeno-burgueses que, com um verniz de esquerda são usados em toda a oportunidade para quebrar os movimentos por dentro.

Agora o DCE, PSol, PSTU e LER, estão defendendo, junto com a reitoria e o governo, a punição dos estudantes, explicando para a reitoria que os danos não foram evitados e os culpados poderão ser punidos.
São verdadeiros agentes da reitoria e devem ser denunciados aos estudantes.

Esta omissão do grupo é uma capitulação diante da pressão de organizações pequeno-burguesas como o PSTU que fazem um enorme escândalo quando são criticados, o que permite que continuem a atuar sistematicamente em todos os lugares contra os estudantes e os trabalhadores.

Nessas condições, a crítica política simplesmente não tem valor algum. A crítica, para os revolucionários – e o grupo em questão se considera uma organização revolucionária – é um aspecto essencial da educação das massas e dos elementos mais avançados dos movimentos operários e estudantil. O aspecto fundamental desta educação é ensinar os estudantes e operários a distinguir o papel real dos partidos e organizações que se propõem a dirigir o movimento e a sua relação com as classes sociais em luta.

Sem dizer abertamente a qual partido pertence qual política a crítica simplesmente não tem valor algum. É preciso dar nome aos bois e ensinar os estudantes a compreender o caráter nocivo e favorável á burguesia não só de partidos como PT e PCdoB, que vem perdendo completamente a autoridade no interior do movimento estudantil, mas principalmente dos partidos que se apresentam como alternativa “de luta” e “revolucionária” a estes partidos, como o PSTU e PSol, apenas para levar adiante exatamente a mesma política que os primeiros.