A farsa do governo Lula e do PCdoB
“Jornada de Lutas” para defender a política do governo Lula e dos tubarões do ensino

Apoiador raivoso do governo, PCdoB quer se passar por “oposição” em uma manobra para enganar os estudantes e suas lutas. Como é possível organizar uma “jornada de luta” para defender a universidade atacada por Lula e dar todo apoio ao seu governo? Entenda quem puder

23 de agosto de 2007

A jornada de lutas do PCdoB ganhou grande destaque na imprensa com a sua ocupação farsesca da Faculdade de Direito da USP.
Contando com todo o apoio da imprensa, em primeiro lugar da globo, que deu ampla cobertura ao minúsculo ato fabricado pelo PCdoB e seus apoiadores, a direção da UNE quer capitalizar o movimento de luta dos estudantes e estrangulá-los com uma mobilização puramente aparente.
Na pauta de reivindicações da “jornada de lutas” está o controle público do ensino privado em todos os níveis e garantia da livre organização sindical e estudantil, em especial, nas instituições privadas, além de da regulamentação do ensino privado, com a aprovação do projeto de lei 6489/06, conhecido como “PL da UNE”, uma defesa aberta das privatizações das universidades. Os porta-vozes da “jornada de lutas” em defesa do ensino público apareceram nas reportagens de televisão de hoje defendendo abertamente a “regulamentação do ensino pago”, uma manobra para defender o ensino pago e bloquear a luta contra ele.
A ocupação, segundo os próprios organizadores, foi estabelecida para durar de apenas 24 horas, mas durou muito menos, pois as direções da UNE, do MST e da Conlute decidiram, com a chegada da polícia, não resistir. A coordenação da ocupação orientou os presentes a se agacharem no chão para resistir pacificamente, o que facilitou a entrada do choque que apenas arrastou os presentes para fora. Este foi outro aspecto oportunista do movimento, uma vez que conseguiu efetivamente fortalecer o poder do aparelho repressivo com uma ocupação que não conseguia sustentar. Serra ficou mais que feliz, depois do fiasco da USP e da imagem de violência em Araraquara de poder desocupar com enorme “facilidade” e sem protesto um campus tão importante quanto o Largo S. Francisco.
Desde o início da ocupação ficou evidente o controle e a preparação prévia de comissões compostas por PT, PCdoB, PSol e PSTU, decididos em reuniões fechadas, realizadas antes mesmo do ato, para que fosse impedida a participação dos estudantes, em particular daqueles que realizaram, organizaram e dirigiram a ocupação da reitoria da USP em maio.
Quando militantes da Aliança da Juventude Revolucionária, juventude do Partido da Causa Operária, tentaram participar de uma reunião da coordenação feita durante a ocupação, foram informados que a “Jornada pela Educação” não havia “convidado” o PCO, mesma resposta que tiveram outros estudantes e outros grupos políticos da USP como a corrente Negação da Negação. Não houve nenhuma divulgação nas universidades e sequer os estudantes da universidade São Francisco haviam sido informados, tal o artificialismo do ato.

Ocupação de fachada dos defensores de Lula

A “mobilização” promovida pela direção da UNE, nas mãos do PCdoB há mais de uma década, é o oposto de uma verdadeira mobilização,.pois sequer os estudantes foram convocados e muito menos as reivindicações refletiam efetivamente as reivindicações estudantis, sendo sequer colocado em pauta a não punição dos estudantes que participaram da maior ocupação das últimas décadas que foi a ocupação da reitoria da USP que durou 51 dias, e que agora estão ameaçados e já sofrem perseguição por parte da reitoria e outros em várias universidades do País.
Ao contrário, esta ocupação de fachada mostrou, pelo seu método e pelo seu conteúdo, que estas entidades tiveram como o único objetivo promover um verdadeiro show para a imprensa burguesa, que além de ter sido liberada para entrar no local pelas comissões, entrevistou e deu destaque para as “lideranças” do movimento que não são lideranças de nenhuma luta real, mas apoiadores do governo Lula e da sua política de destruição da universidade pública e de distribuição do dinheiro público aos tubarões da educação.
Se aproveitaram de o Largo São Francisco estar localizado no centro da cidade para aparecer na imprensa, quando o centro das lutas no último período têm sido o campus da USP no Butantã, onde não realizaram nenhum movimento desde a traição que levou à desocupação para evitar qualquer mobilização.
A ocupação funcionou assim como as tradicionais manifestações promovidas pelo PT e movimentos a favor do governo em Brasília, que não tem qualquer objetivo de travar uma luta, mas de tentar levantar sua fachada de esquerda já completamente desgastada.

Usando a radicalização dos estudantes para a campanha eleitoral do mensalão

A “ocupação” relâmpago do Largo São Francisco foi uma manifestação para, sobretudo, impedir a manifestação dos estudantes, com uma organização pré-fabricada, com comissões controladas todas pelo PCdoB, PT, PSTU e PSol, que são os conhecidos profissionais em quebrar o movimento dos estudantes.
É preciso dizer com todas as letras que a “jornada de luta” da UNE nada mais é que uma tentativa de impedir qualquer verdadeira mobilização estudantil e tentar reabilitar lideranças falidas.
O pano de fundo desta suposta mobilização, no entanto, é o das eleições no ano que vem, para a qual estes partidos já realizam uma campanha tentando se aproveitar da visível radicalização dos estudantes.
Os tradicionais declarados defensores do governo Lula como o PCdoB e a direção do MST, que são defensores e financiados com milhões pelo governo “mensalão” se juntaram aos ”opositores” PSTU e PSol, para desmoralizar a ocupação da USP, que foi fruto da radicalização sem precedentes nos últimos trinta anos e que reuniu milhares de estudantes que passaram por cima de todas as direções da burocracia estudantil e que levantou um programa de reivindicações em defesa da universidade pública e contra a política criminosa do governo do estado de São Paulo de José Serra.
Agora, querem, sobre a base da derrota e das punições, criar para si uma aparência de defensores das lutas e das reivindicações estudantis que pisoteiam, criando mobilizações que não têm continuidade ou ligação com a grande massa dos estudantes e servem apenas para a propaganda destas correntes políticas e direções.
Os estudantes devem repudiar a tentativa dos traidores e dos pupilos da reitoria da USP de tentar desmoralizar a luta estudantil com um ato cujo fim é a defesa do governo Lula, dos governos carrascos e dos tubarões do ensino privado.
É necessário organizar, em cada universidade a luta real pelas reivindicações que serviram de base à ocupação da reitoria da USP, colocando em primeiro lugar uma campanha nacional contra as punições, que os organizadores da “jornada de luta” não querem sequer ouvir falar.