“Jornada de Lutas” contra quem?
Por um plano de luta de verdade contra a política do governo Lula

Os estudantes devem repudiar a tentativa da burocracia estudantil de utilizar a sua luta para a defesa do ensino pago e em defesa dos governos e das reitorias, carrascos da educação que apenas oculta um apoio à política do governo. Os estudantes devem levantar um programa próprio de luta contra o governo apoiado pelo PCdoB

23 de agosto de 2007

Os estudantes devem organizar uma verdadeira campanha, seguindo o exemplo da ocupação da USP que ultrapassou as direções da burocracia da direção da UNE, o PCdoB, e aquelas que tomam conta das entidades estudantis, como PSol e PSTU.
Um verdadeiro plano de luta deve se basear em uma ampla mobilização e propaganda pela base dos estudantes, ou seja, nos cursos e em cada sala de aula utilizando, por exemplo, a campanha contra a punição dos estudantes da USP e a defesa das reivindicações estudantis levantadas, as quais nenhuma foi atendida pelo governo. 
O que os burocratas que apóiam o governo mais temem é a mobilização massiva dos estudantes. Por isso, colocaram-se furiosamente contra a contiunidade e ampliação da luta ali onde ela estava acontecendo.
Esta luta deve se expressar através da organização e de um programa independente dos estudantes que nada tem a ver com o governo ou os tubarões do ensino, mas sim que têm como conteúdo a luta contra os governos e em defesa de verbas públicas somente para o ensino público, contra todos os planos de privatização. Nenhuma luta real pode ser travada em conjunto com os apoiadores do governo Lula no movimento estudantil, a não ser que estes, como ocorreu nos primeiros momentos da mobilização da USP, se vejam forçados a participar pela pressão da luta estudantil real. Fazer acordos “de luta” com o governo Lula para lutar contra o governo Lula é uma farsa grotesca e cínica para enganar os estudantes e desmoralizar a sua luta.
O princípio fundamental de toda a luta é a denúncia do governo Lula como governo da destruição do ensino público e de defesa do ensino privado.
A verdadeira mobilização dos estudantes deve se apoiar em uma imprensa independente e de atividades financiadas pela sua própria mobilização e não pelo Estado. A mobilização deve-se dar para as massas dos estudantes com um chamado amplo à participação ativa em cada sala de aula e em cada curso, levantando os inúmeros problemas de cada faculdade que revelem a política de sucateamento dos governos burgueses e que mostre a necessidade de organizar-se contra os ataques do Estado à juventude.
Qualquer programa de luta feito em comum com os participantes do governo, como ocorre na “jornada de lutas” é uma farsa, por mais que pareça defender o interesse estudantil.
Isto fica claro quando a “jornada de luta” sequer defende o interesse de centenas de estudantes perseguidos em todas as universidades federais e estaduais do País, ou seja, pelo governo Lula e seus funcionários.
Somente a participação massiva dos estudantes pode combater a política da direção do movimento estudantil corrupta e que nada tem a ver com as reivindicações reais dos estudantes, que só se sustenta através do apoio dos donos de universidades, de negócios capitalistas e de uma política de paralisia a partir dos centros acadêmicos que expressa uma aliança servil com a burocracia universitária contra os estudantes, como revelou a ocupação da reitoria da USP.
Abaixo o programa em favor do governo e dos capitalistas do ensino. Por um programa de reivindicações em defesa do ensino público e da universidade pública para todos. Pelo governo dos trabalhadores da cidade e do campo e pelo socialismo.

  1. Pelo fim do ensino pago;
  2. Estatização das escolas pagas; revogação de toda lei que privilegia a escola paga
  3. Monopólio estatal da educação; ensino público e gratuito para todos

 - Suspensão imediata das verbas destinadas à rede privada de ensino; Verbas públicas somente para as escolas públicas

  1. Fim do vestibular; livre ingresso na universidade;
  2. Pela total autonomia política e administrativa da universidade frente ao Estado burguês; pela sustentação integral da universidade pelo Estado;
  3. Pela verdadeira autonomia governo tripartite: professores, funcionários e estudantes e maioria estudantil; fim dos governos unipessoais das reitorias;
  4. Soberania da assembléia geral da comunidade universitária; novos estatutos para a universidade elaborados livremente pela comunidade universitária;
  5. Pela livre organização dos estudantes. Não às punições às lideranças estudantis da ocupação na USP e em todas as universidades