Universidade de S. Paulo
Serra manda tropa de choque da Polícia Militar para reprimir ato pacífico de estudantes

23 de agosto de 2007

Na madrugada da terça-feira, por volta das 2h30 da manhã, a tropa de choque da Polícia Militar desocupou cerca de 200 pessoas na Faculdade de Direito da USP, no largo São Francisco, centro de São Paulo.

A manifestação fazia parte da chamada “jornada de lutas” organizada pela União Nacional dos Estudantes, dirigida pelo Partido Comunista do Brasil, da base de sustentação do governo Lula, e apoiada por outros movimentos políticos.

O MST, a Educafro, a UNE e a Conlute, ligados respectivamente ao PT, PCdoB e PSTU, além do PSol, promoveram a chamada “Jornada pela Educação”, com “ocupações” relâmpago pelo país.

Nesta terça-feira, por volta das 19h quando realizavam um ato dentro da universidade anunciaram que a partir daquele momento a São Francisco estava ocupada.

A ocupação, segundo os próprios organizadores, foi estabelecida para durar de apenas 24 horas, mas durou muito menos, pois as direções da UNE, do MST e da Conlute decidiram, com a chegada da polícia, não resistir. A coordenação da ocupação orientou os presentes a se agacharem no chão para resistir pacificamente, o que facilitou a entrada do choque que apenas arrastou os presentes para fora.

A presença da Polícia Militar, a pedido do diretor da faculdade de direito e a mando do governador José Serra, é um ato abusivo de repressão política contra um movimento de protesto pacífico.

Esta atitude, de transformar todo o tipo de protesto em crime, é indicativa de que os governos ditos “democráticos” são governos repressivos que querem, a todo o custo, impedir qualquer manifestação da população.

Repete-se aqui a situação ocorrida na unidade de Araraquara da Unesp, onde a Polícia Militar retirou brutalmente os estudantes que ocupavam o prédio da administração e da própria USP, quando a PM foi chamada para desocupar a reitoria, ocupada pacificamente pelos estudantes, que somente não se concretizou devido ao medo do governo do PSDB da repercussão que tal ato teria no conjunto da população.

Recentemente, a greve do metrô foi respondida com a decretação da sua “abusividade”, um eufemismo criado pela justiça na era FHC para impedir as greves e, apesar da direção do sindicato aceitado voltar ao trabalho, a perseguição continuou com 61 demissões.

O exemplo da USP, que se negou a acatar a decisão judificial e as imposições do governo do Estado, mostram que este é o caminho para enfrentar o virtual estado de sítio que Serra quer impor em S. Paulo, a exemplo dos demais governos do país, inclusive o governo Lula. Fica também a lição negativa de que as tentativas de contemporização com a repressão, como fez a direção sindical do metroviários, controlada pelo PCdoB, somente resultam em mais repressão.

Todas as organizações operárias e estudantis devem repudiar e denunciar o uso sistemático da força da parte do governo José Serra, do PSDB, contra o movimento estudantil, operário e popular e reivindicar o exercício do direito de greve e de manifestação. Acima de tudo, devem exercê-lo contra os governos que pretendem suprimi-los. Assim como não foram dados por estes governos burgueses e vendidos ao imperialismo, também não aceitamos que os retirem, alegando o império da lei. Tais direitos foram conquistados pela luta operária e popular e somente podem ser garantidos por ela.