Jornada “de lutas”
PSTU e seu longo casamento com o PCdoB

Apesar da propaganda de ser de “luta” e “esquerda”, o PSTU está junto com PCdoB desde, no mínimo, 1988, quando o primeiro chamou o PCdoB a entrar na CUT

24 de agosto de 2007

Quem teve acesso a trajetória do movimento operário e estudantil não se surpreende com a atual “história de amor” do PSTU com o PCdoB.

Em 1988 foi realizado o III Congresso da CUT, momento em que a burocracia muda os estatutos da entidade, atacando a democracia operária para acabar com as oposições, garantindo sua consolidação. Esta medida foi apoiada por um amplo setor da esquerda. O ingresso de mais de mil de sindicatos rurais, um setor atrasado, que vai servir de contrapeso aos sindicatos operários é feito pela burocracia. A mudança de estatutos da CUT representou a consolidação da burocracia sindical dentro dela, ou seja, desde então a burocracia controla totalmente a CUT, levando uma política de colaboração de classes desde então, cerca de 15 anos da eleição de Lula, e não no ano de sua eleição como propaga o PSTU.

O PCdoB, partido que era tropa choque do peleguismo até 1988 ligado inclusive ao MDB, uma das correntes políticas mais direitistas no interior do movimento operário, entra na CUT, fortalecendo a burocracia.
O PSTU aplaudiu entusiasticamente a entrada do PCdoB na CUT, fazendo a falsa propaganda que este era um partido operário.

Agora o PSTU alega para a ruptura com a CUT que a situação mudou, entretanto o que ocorre é que estavam comodamente instalados no esquema sindical montado pela burocracia durante todo o período de refluxo. Fica evidente que sua “luta” não tem por base o interesse dos trabalhadores, mas trata-se apenas de uma briga no interior da própria burocracia.

No movimento estudantil, o PSTU teve a mesma política de apoio ao sempre direitista PCdoB.
Em 1977, os estudantes saem às ruas de todo o país e iniciam um vasto movimento, reconstruindo suas entidades de base e a UNE. Este movimento impulsionará o reagrupamento do movimento operário, que iniciara seu ascenso em 1978 nas greves do ABC paulista.

O PCdoB fica quatro anos fora da entidade, chegando a se retirar de um congresso para que fosse aprovada novamente a proporcionalidade e este pudesse novamente voltar à diretoria.
A esquerda “de lutas”, na época com outros nomes como Convergência Socialista, prestou mais este favor ao PCdoB, aprovando no congresso em Brasília a proporcionalidade e assim o PCdoB, que tinha apoio de políticos burgueses, voltou para a presidência da entidade onde mantém sua ditadura até os dias atuais, sendo uma barreira de contenção ao movimento de luta dos estudantes.