| Comitê contra as punições
AJR realiza reunião na USP
Militantes da AJR e outros estudantes que participaram da ocupação da reitoria da Universidade de São Paulo, se reuniram na quinta-feira passada e definiram o caráter do comitê e também algumas atividades
25 de agosto de 2007
Desde a desocupação da reitoria da USP, que ocorreu dia 22 de junho, com um acordo que previa a punição dos estudantes, a reitora da universidade, Suely Vilela e o governador do estado de São Paulo, Geraldo Alckmin já deram diversas de declarações dizendo que os estudantes serão punidos.
Durante a ocupação alguns estudantes já haviam sido processados criminalmente. Agora os processos são muitos, todos concentrados em uma única delegacia do Butantã, bairro onde está localizada a Cidade Universitária.
Segundo informações da comissão jurídica do comitê, , a declaração do delegado é de que os funcionários e professores já estão sendo ouvidos e que cerca de 30 estudantes serão chamados nos próximos dias para dar depoimentos. A seleção de estudantes será feita de acordo com imagens e fotos da ocupação.
Diante disso, a AJR e outros estudantes que participaram da mobilização, formaram um comitê para organizar a luta contra a punição dos estudantes.
Na última reunião, realizada quinta-feira passada, dia 23, ficou estabelecido o caráter do comitê que será o mais amplo possível. Não foi formado apenas um comitê contra a punição dos estudantes que ocuparam a reitoria. Mas sim um comitê que será organizado para travar uma luta contra qualquer repressão que existe dentro da universidade.
A cada dia as atitudes repressivas das reitorias e dos governos estão mais parecidas com a época da ditadura militar. Como por exemplo, a invasão da tropa de choque da Faculdade São Francisco, que retirou a força, os estudantes que estavam ocupados.
Os anos estão passando e a tendência dos estudantes de se organizarem e se mobilizarem contra a política que está estabelecida só vem aumentando, vide o próprio movimento de ocupação da reitoria da USP, que foi um marco no movimento estudantil, deixando para trás a paralisia das antigas entidades e colocando em pauta a luta pela defesa da universidade pública. Política esta tanto do governo federal, quanto dos governos estaduais, que visa a acabar com a educação pública brasileira e beneficiar os capitalistas da educação.
O comitê também será amplo no sentido da participação dos estudantes, qualquer um que defendeu a ocupação e quer agora lutar efetivamente contra a repressão, poderá participar das reuniões e ajudar na realização das atividades.
Serão confeccionados cartazes, bótons, camisetas e um boletim semanal da campanha. Que trará uma avaliação política das atividades e informações sobre o andamento dos processos.
Os integrantes do comitê passarão em sala durante a semana, para entregar o material e conversar com toda a comunidade universitária.
Para a confecção dos materiais, por exemplo, para a impressão do boletim, o comitê contará com financiamento independente. Os integrantes farão uma campanha financeira com a venda dos próprios materiais.
Será produzido também um documentário, com imagens dos 51 dias que os estudantes estiveram ocupados na reitoria, que será exibido em todos os cursos da USP e também em outras universidades.
Chamamos todos os estudantes para participar do comitê, que não travará apenas uma luta contra qualquer punição contra os estudantes que estiveram ocupados na reitoria, mas sim uma luta contra qualquer tipo de repressão dentro da universidade.
Temos que acabar com esse clima de terror que os sucessivos governos procuraram estabelecer e nos posicionar totalmente contra esse verdadeiro ataque ao movimento estudantil, que serve apenas para impedir que os estudantes se organizem e defendam o ensino público, gratuito e de qualidade, que o governo quer destruir.
Participe das reuniões que serão realizadas todas as quintas-feiras na USP e colabore com a campanha. |