| Ocupação da USP
Delegado impede acesso a inquéritos contra estudantes
26 de julho de 2007
Delegado de polícia, em atitude suspeita, não permite que advogados tenham acesso aos inquéritos que foram abertos contra estudantes da USP
No processo de desocupação do prédio da reitoria da USP, a reitora afirmou que não puniria os participantes do movimento, disse apenas, cinicamente, que não poderia fazer nada diante dos inquéritos criminais. Entretanto, logo após a desocupação, declarou em uma entrevista a Rádio Eldorado, “Nós inclusive já tomamos todas as providências para apurar rigorosamente esses prejuízos e em relação aos responsáveis serão adotadas as medidas de ordem regimental e de ordem legal necessárias”. Com relação à forma de identificação dos estudantes, Suely Vilela afirmou, “A Polícia Civil analisará as imagens gravadas pela imprensa na invasão da reitoria da Universidade de São Paulo para identificar e interrogar os estudantes líderes do movimento”.
O acordo de punição dos estudantes assinado devido à traição do movimento pela burocracia estudantil também permitiu que já nas férias houvesse inúmeros casos de perseguição e punição. Estudantes foram demitidos, ou obrigados a se demitir, há uma lista feita pelo Coseas (Coordenadoria de Assistência Social da USP), contendo nomes de estudantes que participaram do movimento e que estão sob ameaça de não conseguirem bolsas de estudo, trabalho e moradia.
O advogado do Partido da Causa Operária e membro do Comitê de advogados formado para defender os estudantes perseguidos, Alexandre Gallo, denunciou em entrevista à Radio Causa Operária que “foram instaurados inúmeros inquéritos contra os estudantes que participaram da ocupação (da USP). Obtive a informação de que esses inquéritos estavam sendo confeccionados no 91° DP (...) fomos pessoalmente na delegacia para tentar tirar xerox destes inquéritos, aos quais por uma estranheza, apesar de ser um processo público, não pudemos ter acesso”. Gallo afirmou também; “vamos entrar com medida judicial para ser entregue o processo”.
Com isso, não é possível saber precisamente quantos inquéritos foram abertos contra os estudantes e os nomes dos indiciados, informações que são de acesso público e não restrito como fez o delegado.
O delegado de plantão afirmou estarem apenas procurando os endereços dos estudantes para começar a intimar os ocupantes. Segundo relato de Alexandre Gallo, o delegado estava sedento em punir os estudantes e em tom irônico pediu ao advogado que trouxesse os estudantes para depor, pois estava aguardando.
Essa atitude deve ser denunciada, pois significa passar por cima do direito legal dos estudantes, numa atitude totalmente anti-democrática.
Os estudantes da USP foram a ponta de lança do movimento de ocupações nacional e agora, o governo e a reitoria querem punir os estudantes numa tentativa de sufocar o movimento. |