| Imprensa capitalista
Continua a campanha de calúnia contra a ocupação da reitoria da USP
A imprensa divulgou, com a clara intenção de caluniar os estudantes da USP, com o objetivo de tirar a legitimidade de sua luta, que no vestibular da FUVEST “Mais de 52% das vagas isentas de taxa não são preenchidas”
29 de agosto de 2007
A Universidade de São Paulo é uma das universidades mais importantes do mundo e foi palco das maiores lutas estudantis no Brasil das últimas décadas, sendo, por exemplo, um dos primeiros setores a realizar manifestações abertas contra a ditadura, em 1977.
Essa tendência se confirmou com a recente ocupação da reitoria, em maio e junho, que teve duração de 51 dias e colocou contra a parede a reitora e o governo do Estado. Agora há todo um esforço da imprensa para provar que na USP há apenas estudantes privilegiados e que o movimento teria sido um abuso.
No mais recente ataque é afirmado nas capas dos jornais que “Mais da metade das vagas oferecidas para isenção da taxa de R$ 100 cobrada na inscrição do vestibular da Universidade de São Paulo (USP) não foram preenchidas. Das 65 mil oferecidas para alunos de escolas públicas e com renda familiar inferior a R$ 456 per capita, apenas 30.647 foram ocupadas, o que indica a sobra de 52,8% dos benefícios.” (Estado de S.Paulo).
O jornal, que publicou vários editoriais e matérias incisivamente contra o movimento de ocupação, afirma também “O objetivo da isenção, segundo a Fundação para o Vestibular da USP (Fuvest), é incentivar o acesso de estudantes carentes à prova de seleção de uma das universidades mais disputadas do País.”
A reitoria da USP e a imprensa capitalista, fiel ao governo fascistóide de Serra, procuraram caluniar o movimento estudantil que ocupou o prédio da reitoria por 51 dias contra os decretos do governador José Serra, em defesa da autonomia universitária, da democracia universitária com a alteração de Estatuto da universidade, que vale lembrar é ainda da ditadura militar, além de várias reivindicações como contratação de mais professores, construção de mais vagas na moradia estudantil, reforma e construção de prédios.
A USP está entre as melhores universidades, a frente de países mais ricos do que o Brasil, justamente como conseqüência da tenaz luta estudantil em defesa da autonomia universitária, da defesa da universidade pública travada ao longo dos anos e a estes 51 dias da ocupação da reitoria da USP e dos movimentos em todo o país, que esta desencadeou.
A luta do movimento estudantil e da classe operária é o que pode garantir que a universidade seja de fato um centro de conhecimento da humanidade. É necessário para que a juventude possa de fato e de direito ter acesso a universidade, o fim do vestibular, que é um funil e excluiu a maioria dos jovens da universidade.
A acusação de que os movimentos sociais, operário e estudantil são compostos por privilegiados, que não teriam legitimidade para reivindicar é um recurso tradicional dos exploradores para encher os bolsos dos grandes capitalistas e dos banqueiros às custas da população. É o mesmo recurso que se viu para justificar a Reforma da Previdência, a Reforma Trabalhista e criminalizar movimentos como o dos metroviários, que realizou uma greve recentemente em São Paulo, dos controladores de vôo etc.
Agora, a burguesia brasileira, que é a responsável pela destruição do ensino público, tanto fundamental e médio, como superior, e que impôs esse monstruoso funil nas universidades públicas, impedindo o acesso da classe trabalhadora ao ensino, procura cinicamente acusar os estudantes, cuja luta é de defesa do ensino público, gratuito e de qualidade para todos, de serem “privilegiados”.
A função das calúnias divulgadas pela imprensa, capacho do governo contra o movimento estudantil, em especial os da USP, por sua vez, é justamente o de manter o processo de privatização das universidades públicas. |