Era “de mentirinha”...
Diretor da Faculdade de Direito reprimiu com medo de “segunda ocupação da reitoria da USP”

Diretor da Faculdade de Direito da USP, João Grandino Rodas, afirma que a repressão à ocupação com a Tropa de Choque foi necessária, para não virar “segunda ocupação como a da reitoria da USP”

29 de agosto
de 2007

A violência da polícia para retirar estudantes da Faculdade de Direito da USP, no Largo São Francisco, é justificada para o diretor, que chamou a polícia. Durante a madruga, a tropa de choque da Polícia Militar desocupou cerca de 200 pessoas da faculdade, no centro de São Paulo.

O governador de São Paulo, José Serra ameaçou os estudantes que ocuparam a reitoria da USP, durante os 51 dias em que se mantiveram ocupados pelas reivindicações, como a derrubada do decreto que feria a autonomia da universidade. O governador do PSDB ficou em um impasse, porque a repercussão deste ato, que não ocorria desde a ditadura militar, causaria uma revolta ainda maior do movimento, que era forte. Aproveitando-se do fato de que a manifestação era montada pelos serviçais do governo do PCdoB e diretores da UNE, reprimiram a manifestação.

A manifestação fazia parte da chamada “jornada de lutas” organizada pela União Nacional dos Estudantes, dirigida pelo PCdoB da base de sustentação do governo Lula, e apoiada por outros movimentos políticos.

O MST, a Educafro, a UNE e a Conlute, ligados respectivamente ao PT, PCdoB e PSTU, além do PSol, promoveram a chamada “Jornada pela Educação” de quatro dias, com ocupações por algumas horas em algumas universidades do País.

Em entrevista para o site G1, quando perguntado se estava arrependido da violência afirmou “Ninguém gosta disso e não foi uma decisão simples. Mas não me arrependo, porque não podemos deixar a universidade pública ser sucateada. Se isso não tivesse sido feito, hoje teríamos uma segunda ocupação como a da reitoria da USP.”

“Eles diziam que iam ficar só até o dia seguinte, mas ninguém garante.” “Se eu não tivesse tido a oportunidade de inúmeras horas de negociação, talvez tivesse caído mais uma vez. Vi no caso da reitoria como foi.”

Apesar de o diretor tentar tirar Serra da responsabilidade pela ação criminosa da polícia, esta foi enviada a pedido do diretor da Faculdade de Direito e a mando do governador José Serra. Foi um ato abusivo de repressão política contra um movimento de protesto pacífico, na tentativa de inibir o movimento estudantil.

A atitude de Rodas e do governo fascistóide de Serra é um abuso e um ataque à autonomia da universidade, em que a comunidade acadêmica, a qual a maioria é de estudantes deve ter o controle.

Esta atitude, de transformar todo o tipo de protesto em crime, é indicativa de que os governos ditos “democráticos” são governos repressivos que querem, a todo o custo, impedir qualquer manifestação da população.