| Não à repressão
Reitora se faz de vítima para atacar movimento estudantil e sindical da USP
29 de junho de 2007
Em artigo publicado ontem no jornal O Estado de S. Paulo, a reitora da Universidade de São Paulo, Suely Vilela procura atacar o movimento estudantil da USP e reforça que haverá punições para os ativistas.
Logo no início do artigo, Vilela acusa o movimento de ser “conduzido por minorias e que se utiliza de truculência para impor as suas reivindicações”.
Em primeiro lugar, é falsa a afirmação de que a ocupação foi um movimento de minoria. As assembléias realizadas chegaram a contar com cerca de dois mil estudantes e milhares de pessoas passaram pela ocupação durante os seus 51 dias. A maior prova do apoio, no entanto, está nas diversas outras ocupações pelo estado e pelo país e pela enorme greve de estudantes, funcionários e estudantes. Na USP quase 40 cursos paralisaram suas atividades em apoio à ocupação e às suas reivindicações. Dados esses números fica claro que dizer que os estudantes mobilizados forçaram “a maioria a recolher-se num constrangido silêncio” é absurdo, pois elas não estavam silenciosas como quer fazer parecer a reitora, o governo e a imprensa burguesa, mas apoiando o movimento, caso contrário a ocupação não conseguiria se manter tanto tempo. Por outro lado, por que esta suposta maioria não se manifestou nem minimamente no ato realizado pela direita da universidade contra a ocupação, já que este foi um verdadeiro fracasso, contando com menos de 100 pessoas?
Essa acusação é, na realidade, o retrato da própria USP, que é uma monstruosidade antidemocrática. A começar pela própria reitora, que é escolhida pelo governador do estado e o Conselho Universitário, formado exclusivamente por professores, já que os estudantes, com uma representação de 10% do total de professores, não tem absolutamente nenhum poder e os funcionários contam com apenas três representantes.
Em segundo lugar, quem “usa de truculência para impor” ou, como diz em outra passagem emprega “métodos de intimidação para lograr objetivos políticos” é o próprio Estado nacional. Este, como é notório, usa de uma extrema violência contra a população, através dos seus inúmeros corpos policiais, para impor a sua vontade à maioria da população. Ou seja, favorecer um punhado de banqueiros estrangeiros às custas da miséria de milhões de brasileiros.
Por outro lado, se os estudantes não houvessem ocupado a reitoria e permanecessem passivos ante a destruição da universidade que estão promovendo o governo do estado e a reitoria da USP, não teriam conseguido nem mesmo as poucas migalhas que a reitoria liberou. Os estudantes não têm voz dentro da universidade. A própria ocupação aconteceu porque o vice-reitor não quis sequer receber a pauta de reivindicação dos estudantes.
Opinião pública ou falsificadores da opinião pública?
Outra acusação dirigida pela reitora ao movimento estudantil da USP é a de “(os ocupantes) hostilizaram também, a opinião pública em geral, que desde o início repudiou os métodos empregados e a ele dirigiu o seu sentimento de explícita antipatia.
Nesse caso, como não havia meios de retalia-la diretamente, isso se fez mediante seguidas agressões aos seus “porta-vozes”, isto é, os profissionais da imprensa em geral.”
Os profissionais da imprensa, ou seja, os funcionários da imprensa burguesa, como o Estadão e a revista Veja, que se dedicou, como era de se esperar, a caluniar o movimento, não representam absolutamente a opinião pública. São antes falsificadores desta e representam unicamente a opinião da burguesia, dos políticos corruptos e do imperialismo que controlam esses meios de comunicação e cujo interesse é a destruição do ensino público. Vale ressaltar que a esmagadora maioria dos meios de comunicação do País estão diretamente nas mãos de parlamentares, conforme pesquisa publicada recentemente.
A opinião pública está refletida na onda de greves e ocupação em todo o País e na mobilização dos professores, funcionários e estudantes.
Reitora quer punir estudantes
No artigo a reitora chora lágrimas de crocodilo pela universidade ameaçada de destruição pelo governo e se faz de vítima para reprimir estudantes.
Suely Vilela afirma que é necessária a “reconstrução dos tecidos esgarçados com a crise”. Em relação coloca claramente que “serão adotadas medidas legais e de ordem regimental”. Ou seja, a maneira de “recompor” a universidade, segundo ela, é punindo sem piedade os estudantes e funcionários que se manifestaram.
Essa é uma atitude completamente desonesta da parte da reitora que se comprometeu a não punir os estudantes, pelo menos em palavra. Palavra à qual pediu confiança e que desde o início denunciamos como não digna de confiança.
Agora, ela cinicamente se faz de vítima, procurando criar um ambiente propício para a repressão dos estudantes e funcionários.
Nesse sentido, os que fizeram o jogo da reitoria e do governo, defendendo que a desocupação era a melhor saída inclusive para evitar as punições, são responsáveis pela situação. A reitora acha que o movimento está derrotado e está se aproveitando disso para endurecer contra os estudantes e funcionários.
Chamamos todos os estudantes da USP a mobilizar desde já contra as punições e a mobilizar por sua vez a opinião pública de todos o movimento estudantil e dos trabalhadores da cidade e do campo, bem como todo opinião democrática contra a atitude desonesta e repressiva da reitora e do governo do PSDB! |