| Movimento Estudantil
Participe do Comitê Contra as Punições!
2 de agosto de 2007
Os estudantes que participaram do movimento de ocupação da reitoria da Usp e de outras ocupações nas diversas universidades do País, sofrem agora com a onda de punições, por parte das reitorias e dos governos. É a tentativa de calar a voz dos estudantes que lutam em defesa da universidade pública
Em maio os estudantes da USP ocuparam a reitoria com diversas reivindicações entre elas: aumento de vagas na moradia estudantil, contratação de professores, a realização de um Congresso Estatuinte que aprovasse mudanças no estatuto da universidade que nunca sofreu alteração desde a época da ditadura militar. A partir desse movimento outras ocupações ocorreram, não apenas no estado de São Paulo, como na Unesp e na Unicamp, mas também em universidades em diversos estados do País.
Foi um movimento nacional que não se via há 30 anos. A ocupação da USP em particular, como já foi dito, movimento que impulsionou as outras ocupações passou por cima da burocracia estudantil, chegando a ponto de quase destituir a atual gestão do DCE (Diretório Central dos Estudantes), que é formado pelo PT, PCdoB e PMDB, em uma assembléia. O movimento superou também a ameaça constante da invasão da tropa de choque, que não ocorreu, diferentemente do ocorrido em Araraquara onde mais de 100 estudantes foram retirados pelos policiais de madrugada da universidade.
Foi um movimento que durou quase dois meses, mais precisamente 51 dias e que deu início a um novo movimento estudantil.
No entanto, o acordo assinado com a reitoria, que resultou na desocupação diz claramente que os ocupantes serão punidos. O termo deixa claro que será formada uma comissão de sindicância pela reitoria da USP, para avaliar os excessos e abusos cometidos pelos estudantes. “Excessos” e “abusos” que serão definidos pela reitoria. Assim como a reitoria da Unesp definiu como um excesso e abuso o ato realizado contra situação do prédio da Faculdade de Franca, que possui mais de 72 pontos de risco de incêndio e desabamento, e expulsou sete estudantes, entre eles alguns que nem ao menos participaram da manifestação.
A imprensa burguesa, que ficou contra os estudantes durante todo o período de ocupação, chegando a publicar várias mentiras para desmoralizar o movimento, já publicou várias matérias garantindo a punição aos estudantes.
A reitora, Suelly Vilela, que nos últimos dias de ocupação chegou a se recusar a negociar pessoalmente com os estudantes e o governador, José Serra, do PSDB, partido que está no governo do estado há anos e que apenas, juntamente com o governo federal, atua no sentido de destruir a universidade pública e garantir o enriquecimento dos capitalistas da educação, também já deram diversas declarações, confirmando as punições aos estudantes.
O circo está armado para a punição aos estudantes. É a onda de caças às bruxas, instaurada para produzir um verdadeiro clima de terror entre os estudantes.
A reitoria já começou a quebrar o acordo logo após a desocupação do prédio da reitoria, permitindo a entrada da polícia científica para a averiguação do prédio sem a presença dos estudantes.
A imprensa burguesa nos dias seguintes à desocupação, divulgou diversas matérias, dizendo que havia sumido várias coisas da reitoria, para incriminar o movimento dos estudantes assim como é feito com o MST, é a campanha de desmoralização dos que lutam contra a política de destruição da universidade pública.
O estudante Davi, que participou do movimento já está sofrendo um processo criminal. A estudante Maria Fernanda, já deixou o emprego que possuía no departamento de Filosofia da universidade, pois foi obrigada a repor todas as horas que deixou de trabalhar por conta do movimento de greve e ocupação. É o início da punição e perseguição que continuará a acontecer se os estudantes não se organizarem.
É necessário organizar uma ampla campanha em defesa dos estudantes que ocuparam as reitorias. Cartazes, boletins, abaixo-assinados tem que ser confeccionados e chegar nas mãos de cada estudante, da USP, de todos os cursos e de todas as universidades do País.
E para organizar essa campanha que tem que ser realizada amplamente, os militantes da AJR, juntamente com outros estudantes que participaram do movimento de ocupação da USP, formaram o Comitê Contra as Punições.
Algumas reuniões já foram realizadas e agora com a volta às aulas ocorrerão toda semana, em diversos institutos. Não deixe de participar, é a continuação da luta. Agora em defesa dos que não são os criminosos, mas sim as vítimas dessa política de destruição do ensino público. |