| Não à repressão da reitora e do governo Serra
Nenhuma punição aos estudantes e funcionários da USP!
30 de junho de 2007
Após a desocupação da reitoria da USP na sexta-feira, 22 de junho, a reitora Suely Vilela e o governo do estado de São Paulo estão realizando uma campanha contra o movimento estudantil e sindical da universidade e uma manobra para poder efetivamente punir os que participaram no movimento de ocupação e greve na Universidade de São Paulo nos meses de maio e junho.
O acordo assinado com a reitora e propagandeado por PSol, PSTU e LER como sendo uma saída “responsável” e como uma “vitória”, tendo em vista, segundo eles, principalmente a questão das não punições é na realidade o seu exato oposto: um acordo que prevê a punição dos estudantes e funcionários, ao prever a formação de uma comissão de sindicância definida pela reitoria para punir os estudantes.
O termo, que foi o motivo para a desocupação, diz que não serão punidas apenas as ações que a reitoria considerar como “natural” do processo de ocupação e greve. Esse termo abre brecha para que a reitoria possa perseguir politicamente e reprimir os estudantes e funcionários com a desculpa de estar punindo “excessos” e “abusos”.
A própria reitora em entrevista à rádio Eldorado nesta quarta-feira admitiu quando questionada sobre as punições: “É importante essa sua pergunta porque a leitura do nosso termo de compromisso diz exatamente o seguinte, que os atos praticados ligados ao exercício de greve e de protesto se forem assim caracterizados como atos de manifestação é que poderão não conduzir à punição.
“Nós inclusive já tomamos todas as providências para apurar rigorosamente esses prejuízos e em relação aos responsáveis serão adotadas as medidas de ordem regimental e de ordem legal necessárias.”
Já no dia seguinte á desocupação a reitora descumpriu um acordo firmado com estudantes e funcionários e realizou a perícia apenas com a polícia científica, sem a presença da outra parte da comissão. Nesse sentido foi aberto já um inquérito para apurar os supostos danos causados pela ocupação.
A venal imprensa capitalista presta mais uma vez seus serviços, caluniando os estudantes de vândalos e irresponsáveis e dando voz à reitora que em diversas entrevistas e artigos procura se fazer de vítima, com o intuito de criar um clima propício para reprimir duramente estudantes e funcionários. Em artigo para O Estado de S. Paulo declarou “em relação aos responsáveis serão adotadas medidas legais e de ordem regimental”.
Em reunião de negociação com representantes da reitoria, Luiz Roberto de Britto e Alberto Carlos Amadio, ambos asseguraram aos estudantes que não haveria qualquer tipo de perseguição política, que os processos não sairiam de dentro da universidade mesmo que abertos e que era muito difícil identificar mesmo com fotos e vídeos os exatos responsáveis pelos possíveis danos. Contestados por alguns funcionários e estudantes que, com razão, não depositaram confiança em suas palavras, disse que a não seria aberta uma caça às bruxas na USP.
Pois isto é exatamente o que estamos vendo neste momento. Na impossibilidade de identificar o responsável por possíveis danos, vão usar todo o material recolhido pela imprensa para procurar identificar líderes do movimento e puni-los em nome dos restantes; uma arbitrariedade sem tamanho. Conforme o jornal O Globo Online, do dia 26 deste mês: “A Polícia Civil analisará as imagens gravadas pela imprensa na invasão da reitoria da Universidade de São Paulo para identificar e interrogar os estudantes líderes do movimento”.
O secretário de Justiça Luiz Antonio Marrey por sua vez, que chegou a negociar com estudantes, funcionários e professores em nome do governador do estado de São Paulo, mandou um recado à reitora, dizendo que “a universidade sabe que existe lei e suas responsáveis devem examinar como cumpri-la”. (O Estado de S. Paulo, 23/6/2007).
O que está se procurando é instalar uma verdadeira caça às bruxas na universidade, usando o pretexto dos supostos danos ao patrimônio para iniciar uma perseguição política aos estudantes e funcionários que participaram da ocupação e da greve e puni-los sem piedade.
Por isso, devemos organizar desde já uma ampla campanha contra qualquer tipo de punição aos ocupantes e grevistas.
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