Unesp Araraquara
Ato estadual protesta contra repressão aos estudantes da Unesp

Estudantes de todo o estado protestam contra a repressão policial que sofreram e continuam a sofrer os manifestantes que ocuparam a diretoria da FCL/Ar em defesa da universidade pública

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30 de junho de 2007

Cerca de 200 estudantes da Unesp dos campi de Bauru, Rio Preto, Rio Claro e Araraquara, da USP de São Carlos, São Paulo-Capital e Unicamp estiveram em protesto na cidade de Araraquara contra a repressão policial sofrida pelos estudantes da Faculdade de Ciências e Letras de Araraquara.
Os estudantes saíram da Faculdade de Ciências e Letras da Unesp deAraraquara (FCL/Ar) pela rodovia Araraquara-Jaú e foram até o centro da cidade em passeata com faixas “não às punições” e gritando palavras-de-ordem de “abaixo a repressão”, “na Unesp repressão, no país corrupção”.
Estudantes que participaram da ocupação da reitoria da USP, entre eles militantes da Aliança da Juventude Revolucionária, também estavam no ato.
A ocupação da reitoria da USP foi o estopim de um amplo movimento contra a destruição do ensino público. Várias faculdades aderiram ao movimento e também ocuparam prédios das universidades, como foi, por exemplo, a Unesp Araraquara, que ocupou a diretoria da Faculdade de Ciências e Letras.
Os estudantes em assembléia decidiram entrar em greve e ocupar a diretoria da faculdade, contra os decretos e em defesa dos estudantes que estão sendo ameaçados de expulsão por terem feito uma manifestação.
Em mais uma demonstração da ditadura que é imposta no campus de Araraquara, o diretor Cláudio Gomide, não quis negociar a pauta reivindicada pelos estudantes e entrou com o pedido de reintegração de posse do prédio, permitindo mais uma vez a entrada da Polícia Militar no Campus para reprimir os estudantes.
A reintegração foi cumprida e mesmo tendo saído pacificamente do prédio, a PM e a tropa de choque, cerca de 120 estudantes foram detidos e alguns inclusive algemados.
A diretoria da FCL/Ar, ligada ao corrupto PMDB, já tem uma tradição de repressão, em 2006 suspendeu duas estudantes, militantes da AJR, durante um semestre simplesmente por atuarem no movimento estudantil. A acusação era de que as estudantes distribuíam panfletos contra o autoritarismo da burocracia universitária, o que configurava o crime de “calúnia”, no mais tradicional espírito policialesco.
Estes chegaram o absurdo de baixar uma portaria, que existe ainda hoje, que “decreta” a proibição de distribuição de panfletos, colagem de cartazes, manifestações político-partidárias dentro da faculdade, passando sem pudor por cima da própria Constituição burguesa, na tentativa de criar um feudo, uma micro-ditadura, onde tanto estudantes, quanto professores e funcionários só podem dizer aquilo que agrada aos ouvidos da diretoria. A portaria permitia inclusive a entrada da polícia, que inúmeras vezes entrou na faculdade para tentar impedir que as estudantes distribuíssem panfletos.
Em 2006 os panfletos da AJR (juventude do PCO) já denunciavam “O governador Geraldo Alckmin do PSDB, na medida que intensifica seus ataques a educação pública, aumenta a repressão aos que contestam a destruição da universidade, numa política claramente repressiva de perseguição ao movimento estudantil dentro da Unesp.” A mesma política é agora continuada por José Serra do mesmo partido de Alckmin, como se pode ver na ameaça de inquérito contra estudantes da três universidades estaduais.
O ato demonstra a tendência de luta entre os estudantes de não se deixar intimidar pela repressão policial, nem ameaças das diretorias, reitorias e do governo. Neste sentido é necessária a realização de uma ampla campanha em defesa dos estudantes ameaçados de punições em todos os movimentos de luta em defesa da universidade pública.