| Repressão ao movimento estudantil
Operação fascista no Largo São Francisco
Diretor da Faculdade de Direito da USP tenta reprimir movimento estudantil com manobra tipicamente fascista
31 de agosto de 2007
Nesta quinta-feira a Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) presenciou uma verdadeira operação fascista contra o movimento estudantil.
A pretexto do que ocorreu na semana passada, dia 21 de agosto, com a farsa da “Jornada de Lutas” organizada pelo PCdoB, PSTU, PSol e outros movimentos populares que ocuparam a Faculdade do Largo São Francisco, a diretoria da universidade, comandada por João Grandino Rodas, convocou uma assembléia entre os estudantes para destituir a diretoria do C.A XI de Agosto, Centro Acadêmico da Faculdade de Direito que teria organizado a ocupação sem o conhecimento dos estudantes.
Assembléias a portas fechadas
Para que a assembléia ocorresse da "melhor maneira possível", o diretor Grandino, liberou os alunos das aulas para que pudessem participar da assembléia. Outra ajudinha do diretor foi ter disponibilizado o Salão Nobre da faculdade para que fosse feita a assembléia. Segundo os estudantes da faculdade, o Salão Nobre nunca é liberado para qualquer atividade estudantil e somente é disponibilizado, quando muito, para atividades de outro caráter, pela módica quantia de R$ 5.000. Além das instalações, Grandino ainda colocou os guardas universitários plantados na entrada do Salão Nobre para impedir a entrada de estudantes que supostamente não fossem da Faculdade de Direito e que, portanto não poderiam participar da assembléia.
Juntamente com os guardas universitários estava um aluno da faculdade, pupilo de Grandino, que estava na porta com uma camiseta com as inscrições de DOPS e Esquadrão da Morte impedindo os estudantes de entrar.
Para entrar, os alunos tinham que apresentar uma carteirinha de estudante da Faculdade de Direito e ainda confirmar o nome em uma lista com os nomes dos estudantes da faculdade e antes de entrar no Salão Nobre recebiam uma cédula de votação.
Alunos da USP do campus Butantã foram sumariamente proibidos de entrar e mesmo estudantes da faculdade de direito que não tinham a carteirinha e que não eram conhecidos do estudante que controlava a entrada foram barrados na porta. Até mesmo estudantes de pós-graduação da faculdade foram impedidos de participar da assembléia que ocorreu a portas fechadas. Estudantes que tentavam entrar para acompanhar a assembléia eram empurrados pelos guardas da reitoria e alguns estudantes ainda receberam ameaças.
Durante a assembléia, alguns estudantes foram expulsos de dentro do Salão por serem identificados pelos estudantes fascistas, que controlavam a assembléia, de serem de outras unidades que não a da Faculdade de Direito.
Muitos estudantes deixaram a assembléia antes do término revoltados com o acontecido. A armação era evidente tanto que a repórter da rádio Causa Operária também foi impedida de acompanhar a assembléia, mas um repórter do jornal Folha de São Paulo não teve dificuldade alguma em entrar no Salão Nobre.
Ao final da assembléia foi realizada uma votação fajuta em que muitos estudantes nem sequer votaram, saíram do Salão Nobre com a cédula na mão, em branco.
Manobra fascista
É notório que a ocupação relâmpago preparada previamente pelo PT, PCdoB, PSol e PSTU, na fraude da “Jornada de Lutas” não era uma mobilização estudantil e sim um circo armado para uma oposição de fachada ao governo Lula. Tanto que o diretor Grandino não teve dificuldade alguma em mandar a Tropa de Choque invadir a faculdade para tirar os manifestantes que estavam em um ato pacífico, agora o diretor quer com a destituição do CA da Faculdade de Direito impedir que os estudantes manifestem, se organizem, pois quer com essa manobra, abrir o precedente para reprimir qualquer manifestação estudantil.
Para derrotar esta manobra fascista do diretor João Grandino Rodas para reprimir o movimento estudantil, é necessário que haja uma grande mobilização estudantil que mostre para os fascistas da direção da Faculdade de Direito, da USP e para os governos estadual e federal que os estudantes não vão aceitar o tacão de ferro que querem impor às mobilizações e ao movimento estudantil. |