Ocupação da USP
Estudantes não precisam se justificar diante da atitude policial da reitoria

31 de julho de 2007

Dando argumentos para a repressão da reitoria contra os estudantes, DCE e entidades estudantil da USP, divulgam carta tentando acuar estudantes diante das acusações

Na intitulada “Carta pública à comunidade USP e sociedade civil” feita pelo Diretório Central dos Estudantes da USP (DCE), dirigido pelo PT, PCdoB e PMDB, e pelo Conselho de Centros Acadêmicos da Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas, em cujas direções estão PSTU, PSol e LER-QI, a burocracia estudantil, que está a léguas de distância da luta dos estudantes, coloca exatamente a posição da reitoria, como sendo a dos estudantes.

A carta divulgada sorrateiramente no Blog da ocupação afirma “quanto a supostos furtos, entendemos que punições, sem provas cabais e irrefutáveis que dêem conta de identificar precisamente o autor de um ato de furto determinado, serão interpretadas pelo movimento como um ato de punição política em total desacordo com o que foi assinado pela reitora Suely Vilela, nos termos de compromisso para desocupação da reitoria”.

Entretanto é importante lembrar que o acordo assinado com a reitora para a desocupação foi um golpe, uma traição ao movimento que não garante em nada a não punição dos ocupantes. “Os atos praticados ligados ao exercício de greve, de protestos, ainda que envolvidos em ato em si de ocupação, não deverão levar a punição a estudantes, funcionários e professores, na medida em que forem caracterizados como atos de manifestação própria e natural do movimento sindical e estudantil. A apuração de fatos decorrentes da ocupação e do exercício do direito de greve deverá ser precedida nos termos da aferição administrativa, normal e obrigatória, dos danos, prejuízos, abusos e excessos sofridos pela Universidade. Constatados excessos, abusos e prejuízos, os responsáveis, se identificados responderão de acordo com as respectivas participações, assegurado o direito do contraditório e da ampla defesa. A condução da sindicância caberá à Comissão definida pela Reitoria.” (Termo de Compromisso 22 de junho de 2007).

Os burocratas-mirins apenas reafirmam a carta da própria reitora, que só devem ser punidos, os que “comprovadamente” fizeram algum ataque ao patrimônio público. Apenas se esquecem que quem fez a vistoria do prédio, quem dirá o que estava faltando, virá os vídeos e será a reitora e a policia e darão a palavra final.

Não há nem mesmo garantia, inclusive, tendo em vista falta de qualificação moral das instituições públicas brasileiras, de que os equipamentos reclamados pela reitoria tenham sido de fato adquiridos antes que pudessem ser roubados.

A reitoria, utilizando um tradicional método da direita, acusa um movimento social criminalmente, para ocultar os problemas políticos levantados por eles. Na USP, já foram abertos inquéritos contra os ocupantes, que não tiveram ao menos o direito ver os documento que são públicos e as acusações.

O governo e a reitoria querem abolir os direitos políticos dos estudantes que iniciaram um movimento nacional em defesa da universidade pública, que é também a reivindicação da maioria da população trabalhadora.

O ataque vergonhoso da reitoria aos estudantes e a todo o movimento estudantil deve ser veementemente repudiado, pois se trata de um típico ataque fascistóide, da direita reacionária contra um movimento político.

Ao invés disso, a burocracia estudantil, DCE (PCdoB, PT e PMDB), PSol, PSTU e LER se explicam diante da reitoria dizendo que queriam defender o prédio, mas “devido ao grande número de pessoas que passavam pela ocupação diariamente, uma vez que o movimento abriu as portas da reitoria para toda a comunidade USP e outras universidades, não poderiam existir garantias efetivas para um controle total das condições de segurança do prédio, uma vez que seria impossível impedir a entrada de pessoas mal intencionadas.” Ou seja, é a tentativa de deixar os estudantes na defensiva diante das inúmeras acusações da reitoria, da imprensa e do governo e permitir que os estudantes sejam perseguidos, pr
esos e punidos.