| Desocupação da USP
Por uma ampla campanha contra as punições
É necessário desmascarar a manobra totalitária do governo e da reitoria de impedir a existência de um verdadeiro movimento estudantil de luta
3 de julho de 2007
Com o fim da ocupação da reitoria da USP, no último dia 22 de junho, mediante a aprovação de um acordo feito entre a reitoria e a esquerda traidora, PSTU, PSol, LER-QI (Liga da Estratégia Revolucionária) para acabar com o movimento em troca de nenhuma conquista concreta, os estudantes que saíram prejudicados.
Este acordo, apresentado no meio da assembléia, pelos professores, uma comissão de professores que se autointitularam “facilitadores”, foi um verdadeiro golpe contra a ocupação e as reivindicações dos estudantes. O documento, considerado uma vitória por esta esquerda, foi aprovado após uma discussão de apenas 20 minutos, sem nenhuma discussão prévia ou mesmo leitura do documento pelos estudantes.
No documento, além de promessas da reitora em construir 198 vagas de moradia, para o próximo ano, disponibilizar café da manhã e almoço no restaurante universitário nos finais de semana, com prazo de conclusão de nove meses, a autorização (!) e o apoio financeiro para que os estudantes realizem um congresso que discuta os estatutos da universidade, proposta contrária à da pauta que previa um congresso para definir os novos estatutos da USP, e outras esmolas praticamente sem validade alguma, os traidores assinaram um acordo que prevê, com todas as letras, que os estudantes poderão ser punidos.
No texto do acordo aprovado pelos traidores dos estudantes (PSTU, PSol, LER-QI), fica descrito com todas as letras: “ Constatados excessos, abusos e prejuízos, os responsáveis, uma vez identificados, responderão de acordo com as respectivas participações, assegurado o direito do contraditório e da ampla defesa. A condução das sindicâncias caberá à comissão definida pela reitoria”, ou seja, aprovaram um acordo que garante o direito da reitoria de punir os estudantes.
A reitora já está providenciando as punições, a polícia científica já esteve no prédio da reitoria analisando as “perdas”, foi anunciado que diversos equipamentos, como computadores misteriosamente desapareceram e que boletins de ocorrência serão emitidos.Entretanto, é importante lembrar que não havia nenhum estudante na vistoria do prédio, apenas a polícia, o que põe as acusações em total descrédito. Está montada uma manobra para incriminar o movimento legitimo de luta dos estudantes. O estudante Davi Felipe Ferreira Linhares já está sendo acusado criminalmente, e será feita uma minuciosa investigação, com a ajuda de imagens e fotografias da imprensa burguesa, para encontrar os culpados.
No dia 12 de julho foi marcada a primeira reunião do comitê estadual contra as punições que será realizado na USP, com a presença de advogados que defenderão os estudantes e funcionários que forem ameaçados de punição por terem participado dos movimentos de ocupações e greve. Um comitê de advogados também já está com uma reunião marcada para quarta-feira, 4 de julho, onde serão acompanhados todos os processos.
É necessário que seja feita uma ampla campanha, em todos os cursos e campi da USP e das universidades estaduais contra as punições aos ocupantes e grevistas.
A campanha contra as punição iniciada é feita com panfletos, cartazes, adesivos, abaixo-assinados, moções, atos de rua e todos os meios necessários para impedir a repressão da reitora e do governo Serra contra os estudantes. |