Unicamp
Psol, PSTU e LER repetem a dose de traição

Como diz o ditado, “a prática leva a perfeição”. Dessa vez na Unicamp saíram sem nenhum tipo de acordo

3 de julho de 2007

Na semana passada, a Assembléia Geral decidiu pela aprovação de uma carta escrita por uma Comissão de Mediação, composta em sua maioria por professores, alguns ligados à Adunicamp e pelos diretores do IFCH (Instituto de Filosofia e Ciências Humanas) e da FE (Faculdade de Educação), e indicativo de desocupação mediante assinatura pelo reitor da carta. Praticamente de maneira idêntica ao ocorrido na USP na semana passada, após o fechamento das negociações por parte da reitoria desde o início da ocupação da DAC (Diretoria Acadêmica) no início da semana passada, na assembléia ocorrida nesta segunda-feira, apareceu uma carta escrita por uma "Comissão de Mediação" que se propunha a reabrir as negociações entre estudantes e reitoria pela desocupação da DAC.
Essa comissão havia proposto aos estudantes ocupados, na última sexta-feira, esse "auxílio" para convencer a reitoria a abrir as negociações com os estudantes. Entretanto o que resultou disso foi esta carta "pela desocupação" que de maneira evidente trata-se de um rebaixamento da pauta dos estudantes e a substituição da negociação desta pela carta com termos abstratos que não comprometem a reitoria a cumprir quaisquer das exigências, mas apenas a, supostamente, implementar estudos sobre os termos, como moradia, contratação de professores etc., retomando simplesmente o "acordo" realizado na primeira ocupação da reitoria da Unicamp em março deste ano, acordo este que não foi minimamente cumprido pelo reitor.
Este acordo introduzido por esta Comissão de Mediação, tal como na USP, foi a mais nova manobra utilizada pela burocracia estudantil do DCE/PSol e PSTU para derrubar o movimento, da greve com ocupação, sem nenhuma conquista concreta. A primeira tentativa, na assembléia ocorrida na última segunda-feira, em que DCE/PSol e PSTU buscaram aprovar a carta-proposta sem qualquer alteração do texto que abria possibilidades certas inclusive de punições dos estudantes pela reitoria, e ainda dizia que a desocupação da DAC deveria anteceder à abertura das negociações, falhou devido à gigantesca confusão gerada durante a assembléia e ao esvaziamento desta.
Na tarde de terça-feira, representantes da Comissão de Negociação dos estudantes e a Comissão de Mediação reuniram-se e alteraram alguns termos da carta-proposta, como por exemplo, colocando primeiro a assinatura do reitor condicionando a desocupação e retirando do título o mote "Pela desocupação!". Na assembléia geral dos estudantes esta nova carta-proposta foi defendida pelo PSol, PSTU e LER-QI, como sendo o mais próximo do objetivo dos estudantes possível de ser alcançado, utilizando-se de ameaças dizendo que se os estudantes não aceitassem a carta, correriam riscos ainda maior de punições etc. apoiando-se na desocupação da USP para mostrar o isolamento do movimento da Unicamp.
Ou seja, os mesmos que defenderam em todos os institutos da USP o enfraquecimento da greve com a saída dos professores, de modo a isolar a ocupação da reitoria da USP; que desde o início da ocupação da reitoria defenderam o seu término em troca de nada por parte da reitoria, utiliza a desocupação para derrubar um dos últimos e mais importantes focos da resistência da luta estudantil contra os decretos. O que mostra que a traição ao movimento por parte desta burocracia não é um fato isolado, ou se deve a equívocos em certos momentos e lugares, mas sim uma ação orquestrada, em união com a imprensa capitalista, as reitorias e o governador José Serra para derrotar este movimento que é um dos maiores dos últimos 20 anos.
Na Unicamp, a traição é ainda maior, pois o acordo que estes defendem apenas diz que a reitoria estudará as questões e somente após a desocupação se iniciarão as negociações. E ainda, se dá no momento em que na própria USP a reitora vem processando estudantes. Ou seja, Psol, PSTU e LER-QI uniram-se para abandonar a luta dos estudantes num recuo organizado, deixando como saldo para os estudantes a repressão das reitorias e do governo que, acreditando que o movimento está derrotado, pretende partir para uma ofensiva contra o movimento estudantil e punir os ocupantes e grevistas.

Psol, PSTU e LER-QI: "desocupar para negociar"

Estudantes da Unicamp desocupam a DAC (Diretoria Acadêmica), no 11° dia, em troca de uma conversa com a reitoria, sem nenhuma das reivindicações atendidas e sob ameaça de punições. Novamente, a exemplo do que aconteceu na USP, os estudantes não foram derrotados pela reitoria, nem pela polícia, mas pela burocracia estudantil (Psol, PSTU e LER-QI) que defenderam os interesses da reitoria no interior do movimento estudantil.
Nesta quarta-feira, o reitor da Unicamp, José Tadeu, negou-se a reabrir negociações com os estudantes. O pedido de reabertura se deu após aprovação da carta-proposta escrita por uma Comissão de Mediação, composta em sua maioria por professores ligados a Adunicamp que eram contrários à ocupação. Esta carta-proposta, defendida por DCE/PSol, PSTU e LER-QI consistia num rebaixamento da pauta inicial dos estudantes, como por exemplo 1500 vagas para moradia; esta transformava as reivindicações dos estudantes em estudos que a reitoria realizaria sobre assistência estudantil, etc. Ou seja, um claro recuo com o objetivo, supostamente, de buscar a retomada das negociações.
Diante deste recuo, o reitor bateu o pé e manteve sua posição inicial do momento da ocupação da DAC (Diretoria Acadêmica), e negou-se inclusive assinar esta carta, que já não obrigava o reitor a nada de concreto. Após a resposta do reitor, realizou-se uma assembléia geral dos estudantes. Nesta, a burocracia estudantil buscou desde o início imprimir um clima de enterro durante a assembléia, dando a conotação de que a ocupação já havia terminado. PSol, PSTU e LER-QI uniram-se novamente para trair o movimento estudantil, defendendo a desocupação sem nem ao menos a assinatura da carta-proposta que estes haviam defendido no dia anterior; sendo que Psol e LER-QI defenderam que a desocupação acontecesse nesta quinta sem qualquer condição, nem mesmo a reabertura das negociações. No entanto, a assembléia aprovou uma proposta rebaixada de que a condição da desocupação seria a abertura das negociações, no mesmo momento em que os estudantes sentassem para negociar com os pró-reitores, a DAC seria desocupada.
A burocracia estudantil, superou-se nesse momento, ao defender o fim do movimento sem qualquer disfarce de reivindicação atendida com um documento esmola, como fizeram na ocupação da reitoria da Unicamp em março, ou mesmo na USP. Defenderam que diante a resposta absurda do reitor de não negociação com os estudantes acerca de suas pautas históricas (as 1500 vagas da moradia reivindicadas havia sido garantida pela Unicamp em 1989 quando Paulo Renato era então o reitor), diante a ameaça da burocracia universitária de punir os estudantes, os estudantes devem abrir mão do seu instrumento de pressão política, e então negociar. Depois de “desmobilizar para mobilizar”, agora defendem desocupar para negociar. Uma traição completa da defesa dos estudantes lutarem pelos seus direitos. O que a burocracia e os professores da chamada Comissão de Mediação esqueceram de avisar os estudantes é que não existe negociação quando não se tem uma moeda de troca, com a desocupação já garantida, a reitoria pôde fazer o que bem entendesse com as reivindicações dos estudantes.

Mesmo depois da desocupação, reitoria continua intransigente em relação às pautas dos estudantes.

Como era de se esperar, a reitoria da Unicamp, que abriu diálogo com os estudantes após a desocupação da Diretoria Acadêmica (DAC), continuou intransigente em relação a pauta de reivindicações. Em relação às punições, o Conselho Universitário já havia nomeado uma comissão de professores para apurar possíveis danos à instituição, por isso não quiseram tratar do assunto, dizendo aos estudantes que deveriam esperar o resultado do relatório dessa comissão. Perguntados sobre o que seriam esses "danos à instituição" os pró-reitores que participaram da reunião disseram que se trata desde violação ao patrimônio até o próprio ato de ocupação, que a reitoria considera uma "violência" contra a instituição. Ou seja, os estudantes estão nas mãos de meia-dúzia de professores reacionários que julgaram o que e a quem caberão as devidas sindicâncias.
Em relação à pauta da moradia, os pró-reitores continuaram com seu cinismo habitual e disseram que as obras dos blocos B e C que estão condenados já estão sendo encaminhadas e que na próxima semana um grupo de 14 pessoas vão iniciar as obras, apesar do grande atraso que eles mesmos admitiram que ocorreu por parte da reitoria. Além disso marcaram o início do abstrato GT que discutirá sobre a demanda de ampliação de vagas na moradia, acordo rebaixado feito na ocupação da reitoria em março e que vai contra a reivindicação dos estudantes. Em sua pauta, nas duas ocupações, os estudantes exigiam a construção de 1500 vagas previstas no projeto inicial da moradia.
Os pró-reitores não quiseram discutir sobre o ponto das contratações de professores utilizando o argumento burocrático de que a questão não era cabível à reitoria. Jogaram a discussão das contratações de professores, que afeta todos os cursos da Unicamp, para a burocracia das congregações de cada unidade, onde os estudantes quase não têm voz e têm a minoria da representação.
A reitoria recusou-se a discutir um posicionamento contra os decretos de José Serra bem como a favor da extinção da secretaria do Ensino Superior. Recusou-se também a colocar-se contrária a repressão que ocorreu em Araraquara e às punições nas outras universidades.
Inclusive o pró-reitor chegou a dizer, em tom irritado, quando questionado pelos estudantes sobre a polícia no campus, de que achava mais desrespeitoso o ato político de ocupação do que a polícia dentro do campus. Mostra bem a face autoritária e a conivência da reitoria aos ataques à autonomia universitária.