USP
Reitora declara que os estudantes serão punidos

4 de agosto de 2007

Suely Vilela, reitora da USP, declara publicamente que irá punir estudantes, assim como já previa o acordo que acabou com a ocupação. Segundo ela, como os “crimes cometidos pelos invasores são de natureza pública, só a Justiça, tem a prerrogativa de julgá-los”

Após o primeiro relatório que divulga o estado em que os estudantes e funcionários deixaram as dependências da reitoria da Universidade de São Paulo, feito para incriminar os participantes do movimento de ocupação que começou em maio e durou 51 dias, a reitora, Suely Vilela, declara que os estudantes serão processados criminalmente.

Vale a pena lembrar que o acordo foi rompido pela reitoria desde o primeiro momento, quando foi permitida a entrada da polícia científica no prédio para a realizar a perícia, sem a presença dos estudantes, como havia sido combinado, que dizia que a averiguação do prédio só ocorreria por uma comissão de pessoas escolhidas pela reitoria da universidade e pelos estudantes e funcionários que participaram da ocupação.

Agora, a reitora declara à imprensa, que na esfera acadêmica não haverá punições, mas na esfera criminal, ela não poderá fazer nada. Chegando até a registrar vários boletins de ocorrência por suposta violação de documentos.

O promotor de Direitos Humanos, Carlos Cardoso, declarou também que o comprometimento firmado pela reitora Suely Vilela, de que os estudantes não sofrerão punições, é válido apenas no foro acadêmico. Nas esferas criminal e cível, os estudantes podem ser processados pelo Ministério Público. “Os BOs (boletins de ocorrência) feitos vão gerar inquéritos policiais. Se houver evidências, os alunos serão processados pelo Estado”, disse o promotor.

O promotor afirmou também que as investigações determinarão os responsáveis ainda que os estudantes não tenham nomeado nenhum líder.

O secretário de justiça, Luiz Antônio Guimarães Marrey, disse que quem cometeu crime durante a ocupação deve ser punido.

Diante dessas declarações, da reitora, do promotor de Direitos Humanos e do secretário de Justiça, fica claro que o circo está armado para prejudicar aqueles que lutam em defesa da universidade pública.

Por isso, chamamos todos os estudantes a participarem do Comitê Contra as Punições, para juntos organizarmos a luta e ampliarmos a campanha que deverá ser feita em todos os cursos da USP, em todas as universidades do estado de São Paulo e do País.