Na contramão das lutas
DCE da Unicamp faz congresso estudantil fantasma

4 de setembro de 2007

Como nos últimos anos, o DCE/PSol procura esconder ao máximo o congresso do conjunto dos estudantes para desse modo mais facilmente controla-lo através de sua “panelinha” burocrática

Nos próximos dias 25 a 30 de setembro irá se realizar o Congresso dos estudantes da Unicamp, onde supostamente se delibera as diretrizes para o movimento estudantil da universidade. Entretanto, como se sabe, as suas deliberações não são levadas à frente, transformando-se em letra morta.

Como nos últimos anos, o DCE/PSol procura esconder ao máximo o congresso do conjunto dos estudantes para desse modo mais facilmente controla-lo através de sua “panelinha” burocrática. O congresso irá se realizar sem nenhuma divulgação e preparação anterior; veja-se, por exemplo, o fato de que no último jornal do DCE/PSol (o segundo neste ano) publicado no fim de agosto não contém nenhuma informação acerca do Congresso dos estudantes, mas faz campanha eleitoral do deputado Raul Marcelo. Outra manobra do DCE/Psol para restringir ao máximo o debate de idéias no congresso, e dessa maneira, o próprio congresso é a exigência de 20 assinaturas para as teses enviadas ao congresso, mais uma manobra para restringir a participação dos estudantes.

Este congresso se realizará após um dos maiores movimentos estudantis das últimas décadas, marcado principalmente pelas ocupações da reitoria da Unicamp e mais ainda pela ocupação da USP que colocaram o governador José Serra contra a parede diante toda população em resposta ao saque que este promove nas universidades estaduais. Não coincidentemente, o movimento foi derrotados não pela PM, nem por Serra, nem pelas reitorias, mas pela traição desse mesmo DCE e pela “oposição” PSTU e LER-QI, na Unicamp. Na USP, o DCE, que pertence ao PMDB, PT e PCdoB contou com a ajuda desses mesmos; setores, que lá se juntam na oposição de fachada.

Ou seja, ao invés deste congresso expressar o ascenso do movimento estudantil e seus interesses (como a luta contra a repressão nas universidades e punição dos estudantes) ele expressa o interesse do DCE/PSol em manter o controle desta instância para seus interesses burocráticos. Dito de outra maneira, do mesmo modo que acabou e traiu as ocupações, pois não controlava, isola o congresso dos estudantes para controla-lo. Embora de maneira diferente, a política levada por este grupo dentro do DCE é sufocar as tendências combativas dos estudantes em favor de seu status quo na universidade e seus acordos com a reitoria.

Neste ano, o isolamento do congresso se aprofunda ainda mais devido ao maior enfretamento do conjunto dos estudantes contra esta estrutura burocrática que é o DCE/Psol da Unicamp e que tende a derruba-lo, eis o fundo da tática do DCE/PSol em produzir um congresso fantasma.

As verdadeiras lutas travadas no primeiro semestre deste ano - e não aquelas propagandeadas pela esquerda pequeno-burguesa, que consistem para estes em assembléias de meia dúzia de pessoas, congressos esvaziados e atos inócuos em frente à Assembléia Legislativa - fizeram ressurgir o movimento estudantil. Este deve necessariamente se organizar de modo independente e se opor à velha burocracia estudantil para levar adiante suas reivindicações e a defesa de seus interesses, através de uma intensa mobilização do conjunto dos estudantes.