Prioridade no movimento estudantil
Luta contra o ensino pago, em defesa do ensino público

4 de setembro de 2007

Os estudantes devem denunciar a farsa do Coneg da UBES financiado pelo governo e lutar em defesa de suas reivindicações e por uma nova direção para o movimento estudantil

Apesar de o Conselho Nacional de Entidades Gerais da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas oficialmente preparar para a realização do Congresso estudantil para a organização de uma luta nacional em defesa do ensino público, o que acontece é o inverso. A direção da UBES nas mãos do PCdoB realizará um encontro para apoiar o governo que promove duros ataques à educação pública e favorece o ensino pago.

O ensino médio no Brasil está inserido no contexto de atraso nacional e de crise estrutural do sistema capitalista, o qual encontra-se economicamente estagnado e aumentam-se os investimentos nos setores especulativos, no pagamento da dívida interna e externa.

Como conseqüência, as escolas secundárias há anos sofrem ataques do Estado e dos empresários da educação: corte de verbas e desvio de recursos públicos ao ensino privado, arrocho salarial aos professores e funcionários, fechamento de escolas, municipalização e aumento das mensalidades. Incapaz de conter a brutal queda da qualidade de ensino, o regime político implementa a aprovação artificial, chamada “aprovação automática” dos estudantes para cortar gastos e transformou as escolas em verdadeiros campos de concentração, com uma forte repressão.

A UBES, já paralisada pela burocracia da UJS/PCdoB, assistiu a este processo de desmonte total do ensino público. Esta política foi consolidada a máfia das carteirinhas no governo FHC, que corromper as direções estudantis em escala nacional.

A maioria dos jovens em idade escolar está fora das escolas por enfrentar uma série de problemas econômicos e sociais.

As precárias instalações, falta de laboratórios, bibliotecas, materiais de som aliadas às intensas jornadas que os professores enfrentam devido aos salários baixos e condições de trabalho, que não podem aprofundar-se na sua área, nem no mínimo atualizar-se com as novas pesquisas, resultam em uma baixíssima qualidade de ensino.

O ensino superior público também passa pela mesma situação em que o estado transfere dinheiro público para tubarões do ensino e deixa a universidade pública caindo, literalmente aos pedaços. Há diminuição constante das vagas na universidade pública, os funil dos vestibulares, que exclui a maioria dos jovens ao acesso a cultura e conhecimento da humanidade. O governo Lula e governos estaduais estão a serviço dos lucros dos bancos nacionais e estrangeiros e dos grandes industriais em detrimento dos interesses e das necessidades da população.

É fundamental para o movimento estudantil lutar contra o ensino pago, que transformam a educação em um balcão de negócios. Os estudantes em todo o país estão se levantando em defesa do ensino público, que é a reivindicação de toda a população, como vimos na ocupação da reitoria da USP, que foi o estopim de um movimento nacional de ocupações de universidades contra os ataques dos governos burgueses à educação pública.