São Francisco
Diretor da Faculdade de Direito da USP quer impor ditadura ao movimento estudantil

4 de setembro de 2007

Por uma campanha contra os métodos fascistas de Serra, Sueli Vilela e Rodas para mobilizar todos os estudantes e garantir o direito de expressão e organização do movimento estudantil

Na quinta-feira da semana passada, o diretor da Faculdade de Direito da USP, depois de ter chamado a tropa de Choque para invadir a universidade, liberou todos os estudantes das aulas e disponibilizou o Salão Nobre do prédio para que um grupo de estudantes de extrema direita, seus cupinchas, pudesse fazer uma assembléia para destituir o presidente do centro acadêmico XI de Agosto, Ricardo Leite Ribeiro.

O pretexto utilizado pelo diretor João Grandino Rodas e pelos estudantes direitistas para a convocação da assembléia foi o que ocorreu dia 21 de agosto, a chamada “Jornada de Lutas” organizada pelo PCdoB, PSTU, PSol e outros movimentos populares que ocuparam a Faculdade do Largo São Francisco.

A acusação é de que os estudantes que fazem parte da atual gestão do centro acadêmico apoiaram a ocupação sem informar os outros estudantes da faculdade. Acusação absurda em se tratando de movimento estudantil, que tem como uma de suas funções justamente promover manifestações.

Duas assembléias foram realizadas, uma na noite de quinta-feira e outra na sexta-feira de manhã, apenas os estudantes do Largo São Francisco puderam participar. Na porta impedindo a participação de outros estudantes, estava a Guarda Universitária e seguranças de empresas particulares.

Militantes da AJR e outros estudantes do campus Butantã foram obrigados a ficar do lado de fora e impedidos de acompanhar a discussão. Um grupo de alunos da FFLCH, (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas) que estavam presentes foram coagidos e obrigados a se retirarem do Salão Nobre onde ocorreu a primeira assembléia.

Os direitistas que organizaram a operação, com total apoio do diretor, dizem que o presidente foi destituído, mas a gestão se recusa a aceitar a imposição, pois a lista de assinaturas para a convocação da assembléia teria sido fraudada além de uma série de outras irregularidades. Mesmo se desconsiderarmos tais fraudes, uma assembléia convocada pelo diretor da faculdade e com a presença da guarda universitária não pode ser considerada “estudantil” e não pode ser reconhecida pelo movimento.

Na verdade, isso não significa um ataque ao presidente do centro acadêmico XI de Agosto, nem à gestão, mas sim um ataque ao movimento estudantil de conjunto, que estaria proibido de realizar manifestações políticas de qualquer tipo e teria que acatar às ordens da direção da Faculdade, perdendo totalmente sua independência.

O governador do estado de São Paulo, José Serra e o diretor da faculdade João Grandino Rodas, juntos, em uma jogada casada querem impor uma verdadeira ditadura aos estudantes.

O movimento dos estudantes deve ser independente sem a intervenção de diretores ou até mesmo outros representantes do governo e da burocracia universitária.

Devemos repudiar essa ditadura que querem impor no Largo São Francisco, através dessa medida de tipo fascistóide, e lutar pela liberdade do movimento estudantil. Posicionar-se contra a repressão é fundamental para a mobilização dos estudantes, pois sem organização, não há luta.