| José Pinotti
“As pessoas conservadoras sempre reagem à inovação”
5 de julho de 2007
O secretário do ensino superior, José Aristodemo Pinotti, em entrevista cedida ao jornal O Estado de São Paulo, com o seu cinismo habitual de político burguês, chamou os estudantes de retrógrados e conservadores
Depois de ser amplamente repudiado pela comunidade acadêmica das três universidades estaduais paulistas, principalmente pelos estudantes da USP que ocuparam a reitoria em protesto aos decretos do governador José Serra (PSDB-SP), José Aristodemo Pinotti (DEM-SP), secretário de ensino superior, apadrinhado por Serra, deu declarações ao jornal O Estado de São Paulo atacando os estudantes e o movimento estudantil do estado de São Paulo.
Na entrevista, Pinotti insiste em dizer que a ocupação não interferiu em nada na Secretaria de Ensino Superior, criada para controlar as universidades estaduais paulistas, ou seja, administrar as verbas das três maiores e mais importantes universidades do País: “Não mudou nada, a secretaria de ensino superior nunca teve a intenção de dirigir as três universidades” (O Estado de São Paulo – 2/7/2007). Pinotti age como se o movimento político dos estudantes não tivesse abalado o governo Serra de maneira tal que fizesse até mesmo rever partes dos decretos que atacam a autonomia universitária.
Cinicamente Pinotti tenta enganar os leitores dizendo que a oposição à secretaria é por ser a primeira experiência no país, atacou ainda os estudantes dizendo que “As pessoas conservadoras sempre reagem à inovação. O ensino está a mesma coisa há 25 anos e não melhora. Quando vem alguém fazer mudanças, reagem contra(idem).” Aqui o secretário trata os estudantes como se fossem uns desclassificados, tratamento típico dado pelos políticos burgueses, exploradores, à população trabalhadora. Diz com a petulância típica de um explorador que o que está fazendo é um grande feito, uma maravilha, algo progressista importante para a sociedade e os estudantes, que se opuseram ao seu “grande feito”, são os retrógrados, conservadores.
Disse também que a ocupação não tinha nada a ver com os decretos: “Os estudantes da USP quando entraram na reitoria nem mencionaram os decretos” (idem). Pinotti tenta falsificar os fatos para ocultar o ataque à autonomia universitária que são os decretos, quer transparecer que os estudantes, sempre os estudantes, são mal informados, não tem propósito, são irresponsáveis. Tenta mostrar que os estudantes nem sabiam o que eram os decretos, dando a entender de que estavam reivindicando algo que nem sequer sabiam o que era. Assim desvia a atenção para o que é mais importante; o conteúdo dos decretos que é subordinar as decisões da universidade aos interesses do governador.
Esta é mais uma demonstração de fraqueza do governo Serra, acentuada pela mobilização gigantesca dos estudantes que fez com que não tivesse autoridade alguma para acabar com a ocupação pela força. Fraqueza também expressa no fato de que tenha que governar por decretos, pois não tem autoridade alguma no conjunto da população. Decretos aprovados sem discussão alguma, apenas pela vontade exclusiva do governador José Serra, que só para constar, desde o início do mandato já aprovou mais de 150, em seis meses de governo. |