Operação fascista
“A gente não fez nada além do que é o papel do centro acadêmico” diz Ricardo Ribeiro, presidente do CA de direito da USP

Governo Serra através de João Grandino Rodas, diretor da Faculdade de Direito da USP, ataca duramente o movimento estudantil tentando impor a destituição da diretoria do Centro Acadêmico de direito

5 de setembro
de 2007

Foi organizada na Faculdade de Direito da USP (Universidade de São Paulo), no Largo São Francisco, centro de São Paulo, uma operação de tipo fascista para atacar o movimento estudantil da USP. O diretor João Grandino Rodas, num primeiro momento chamou a tropa de choque da PM para reprimir uma manifestação pacífica da “Jornada de Lutas pela educação” organizada por PCdoB, MST, PSTU e PSol. Agora, organizou uma assembléia, convocada inclusive pela imprensa burguesa, a Folha de S. Paulo, para que estudantes direitistas destituíssem a direção do Centro Acadêmico (CA XI de Agosto).

O presidente do Centro Acadêmico de direito XI de Agosto, Ricardo Ribeiro declarou em entrevista a Rádio Causa Operária que o diretor tem auxiliado, tanto na organização das assembléias como no começo da semana a divulgação de um e-mail que circulou por toda a universidade fazendo críticas a atual diretoria do centro acadêmico. E afirmou também que "há a tentativa de golpe na gestão para tomar de assalto o CA".

A idéia é que se consolide a ditadura na universidade, pois um centro acadêmico não poderia apoiar uma manifestação. O que poderia fazer então uma entidade estudantil?

Ribeiro declarou também que "a gente não fez nada além do que é o papel do centro acadêmico que inclusive está disposto no seu estatuto".

A manifestação na Faculdade de Direito fazia parte da farsa da “Jornada de Lutas” pela educação que reuniu PCdoB, PT, PSTU e PSol além de alguns movimentos sociais como o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), partidos que estão no governo e que servem de sustentação ao regime.

Este foi o pretexto para que o diretor fizesse uma assembléia a portas fechadas em que os estudantes da USP não podiam participar.

Ribeiro afirma ainda que “o clima é de tensão e histeria (na faculdade)”, e que os estudantes estão divididos. “Tem setores que apóiam a entrada do choque e favoráveis a destituição CA, assim como tem setores que acham inconcebível.” Que é um “ataque a tradição da faculdade, que gerou a alcunha de território livre, foi abrigo para quem viveu os anos de chumbo” “infelizmente esta tradição foi quebrada na noite do dia 21, colocou a polícia”.

A assembléia fascistóide organizada pelo diretor Grandino, que não contou com mais de 100 alunos, foi uma verdadeira operação policial que incluiu até seguranças na porta para impedir a participação dos estudantes.

É necessário defender a democracia no movimento estudantil contra a repressão do governador José Serra e seus seguidores nas direções das universidades. A operação fascista para reprimir os estudantes na Faculdade de Direito da USP tem que ser repudiada pelos estudantes e combatida para garantir a organização e independência do movimento estudantil.