| Farsa da burocracia
Coneg da UBES é apenas um ato eleitoral do governo Lula
A direção da UNE, encabeçada pelo PCdoB, organiza uma farsa e transforma o que deveria ser um encontro reivindicativo do movimento estudantil em um palanque eleitoral de governo antioperário de Lula para enganar os estudantes
8 de setembro de 2007
O Conselho de Entidades Gerais (Coneg) da União Brasileira dos Estudantes (UBES) está sendo realizado em São Paulo até dia 9 de setembro. A abertura do encontro demonstrou a crise em que se encontra a burocracia estudantil, que controla a entidade há anos.
O PCdoB, assim como na União Nacional dos Estudantes (UNE), impõe uma ditadura na entidade, transformando uma organização que surgiu a partir da luta histórica dos estudantes num departamento do governo, subordinando-a aos sucessivos governos burgueses desde Sarney, o que fez com que a UNE se transforma-se em uma organização sem qualquer base militante, sem lutas, sem reivindicações, um mero cabo eleitoral do PT, do PCdoB e de outros partidos burgueses e uma ferramenta de propaganda da política do MEC.
Este Coneg da UBES nada tem a ver com as mobilizações estudantis vistas no último período como a ocupação da reitoria da USP por 51 dias e as manifestações pelo passe-livre. O Coneg segue o mesmo roteiro dos últimos anos, que é a ausência de lutas e a subordinação do movimento estudantil à burguesia e aos governos burgueses. Foi extinta qualquer sombra de democracia do movimento estudantil, a começar pelas eleições de delegados, em que a UJS – União da Juventude Socialista (juventude do PCdoB) utiliza atas fraudadas e elege delegados de entidades fantasmas. Os últimos congressos da entidade, assim como este Coneg, não permitem nenhum poder de decisão política aos estudantes.
A programação, que deixa claro que não há nenhuma possibilidade de vinculação do encontro com as lutas estudantis, conta com a participação de Arlindo Queiroz, do MEC (Ministério da Educação), em debate sobre o tema: Memória do Movimento Estudantil Secundarista, Totó Parente do Ministério da Integração Nacional.
A abertura do Coneg foi realizada na Assembléia Legislativa de São Paulo (ALESP), que segundo o atual presidente da UPES, do PCdoB Tiago Andrade, foi “gentilmente cedida para a abertura do Coneg”. Na realidade, o local não poderia ser mais adequado, uma vez que a atividade da UNE tem um caráter de completamente subordinação do movimento estudantil às fictícias organizações legislativas do regime burguês.
Havia cerca de 100 estudantes, que, entretanto, foram impedidos de falar. Apesar de marcada para às 18h, a abertura se iniciou com um discurso de Tiago Andrade, justificando que não seria aberta a palavra ao plenário, devido ao horário.
Foram convidados para abertura do encontro estudantil apenas membros do governo “mensalão” de Lula.
Nilson de Araújo (da ala fascistóide MR-8 do PMDB), diretor da UNE e o presidente da UPES Tiago Andrade, do PCdoB, representantes do fantasmagórico PCR e do PT foram os escolhidos para ensinar... “como aprender a amar o “mensalão”.
Os fiéis e bem pagos dirigentes, fizeram toda a intervenção elogiando o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que é um plano de distribuição de dinheiro do governo para os capitalistas da educação, da saúde e de construtoras e de demagogia eleitoral que não trará crescimento para a estagnada economia brasileira e benefícios para a população, destinado apenas para salvar empresas falidas e fazer demagogia para ganhar votos.
O PDE (Plano de Desenvolvimento da Educação) chamado de “PAC da educação” apresentado pela área econômica do governo federal, que prevê o acréscimo de 0,4 a 0,5% do PIB (Produto interno Bruto) é outra fraude que tem amplo apoio dos partidos burgueses, pois 60% dessa verba será desviado para empresas automobilísticas, num acordo com os empresários para compra de vans, ônibus e barcos para o transporte escolar.
Os defensores de Lula, apresentaram as benesses do governo como apoiar o plebiscito anulação do leilão da Vale do Rio Doce, que serve como propaganda enganosa para ocultar a posição e a responsabilidade do governo Lula e dos seus partidos, como PT e PCdoB, na questão das privatizações e na política governamental em geral. O próprio Lula afirmou que o chamado plebiscito popular é para "fazer média com a Igreja Católica e com o MST” (Folha de S. Paulo, 5/9/2007).
É uma tentativa mal disfarçada de reverter a impopularidade do PT e seus aliados da Frente Popular, preparando terreno para as eleições que se aproximam.
A falta de discussão política e o esvaziamento do Coneg demonstram o aprofundamento da crise e a falência total, tanto do governo Lula e da Frente Popular, quanto de seus pupilos, a burocracia estudantil.
Na contra-mão deste tipo de política, há uma clara tendência de luta dos estudantes, assim como demonstrou a recente luta dos estudantes da USP, que na próxima etapa política deverá ultrapassar a barreira de contenção a luta dos estudantes, a burocracia estudantil, se expressando na organização da juventude independente de governo.
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